Entrevista a Afonso Brandão, candidato do Chega às Eleições Autárquicas 2025: “A Câmara Municipal tem que ser gerida como uma empresa, não para dar lucro ou prejuízo, mas para servir”

Afonso Brandão recandidata-se à Câmara Municipal de Palmela pelo Chega. Depois do resultado de há 4 anos, o candidato de 56 anos, assume que as necessidades das populações “não tiveram...

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Afonso Brandão recandidata-se à Câmara Municipal de Palmela pelo Chega. Depois do resultado de há 4 anos, o candidato de 56 anos, assume que as necessidades das populações “não tiveram grande mudança” e defende que “há, na nossa perspetiva, um desleixo, cada vez maior, do executivo municipal e de todos aqueles que têm a responsabilidade, que é transversal a CDU e ao PS, e até mesmo ao PSD, que tem um vereador e que nada fazem”.

Cláudia Aldegalega

– O que o leva a candidatar-se à Câmara de Palmela?

É a sequência do primeiro projeto, de há 4 anos, onde tínhamos noção de que a implementação do Chega num concelho como Palmela iria ser difícil, e esta é a continuidade desse projeto.

O convite surgiu pela direção nacional para e cá estamos para lutar pela mudança no concelho de Palmela.

– Para si, quais são, atualmente, as maiores necessidades no município?

Essas necessidades não tiveram grande mudança nos últimos 4 anos. E enquanto cidadão do concelho de Palmela, todos os pontos que nós elencámos no nosso programa político de há 4 anos, elas estão piores.

Há, na nossa perspetiva, um desleixo, cada vez maior, do executivo municipal e de todos aqueles que têm a responsabilidade, que é transversal a CDU e ao PS, e até mesmo ao PSD, que tem um vereador e que nada fazem. Muito pelo contrário, deixaram cair tudo aquilo que é importante para a população.

A título de exemplo, a rede viária está cada vez mais degradada, a recolha de resíduos acentuou-se de uma forma tão grave, que basta andar na rua, fazendo uma política de proximidade com a população, e ouvimos constantemente as queixas dos munícipes. Portanto, o desinteresse pela governação do concelho está acentuada e à vista de todos.

“Não vale a pena inaugurar um posto da GNR que depois não tem efetivos”

– Caso seja eleito, quais os investimentos que serão uma prioridade no seu mandato?

Destaco algumas prioridades:

O Urbanismo continua a não ter um tempo de resposta dentro daquilo que é a Lei e daquilo que são as necessidades da nossa população, havendo pessoas que dizem, claramente, que preferem ir para outros concelhos para construir a sua habitação, porque não estão para esperar dois anos e meio ou três pela aprovação de um projeto. Logicamente que isto será para mudar, tornando mais célere a forma de trabalhar.

A Rede Viária continua a ter obras de quatro em quatro anos, na véspera das eleições. Este é o apanágio do Partido Comunista e as obras que têm não chegam para a degradação que se verifica por todo o concelho.

A Limpeza Urbana é gritante, não sei que tipo de negócios existem com empresas contratadas pela Câmara Municipal, o fato é que não resultam. Acresce a isso uma maior fiscalização, porque as pessoas têm que ser responsabilizadas pela forma como “abandonam” os seus resíduos. Mas a autarquia também tem que ter a responsabilidade de os recolher em tempo útil e não deixar, quer para nós que cá vivemos, quer para quem na visita, entrar num concelho e verificar que neste concelho não se cuida da qualidade de vida das pessoas.

Também, a Segurança é outra prioridade. Tenho visitado os postos da GNR e como todos sabemos o posto do Poceirão está fechado, fazendo apenas serviço de expediente, porque há muitos anos que não tinha condições e agora fechou por falta das mesmas.

Neste caso concreto, a Câmara Municipal em coordenação com o Comando Distrital não foram capazes de provisoriamente ceder à GNR umas instalações para não deixar uma área tão grande desprotegida. Há que rever, rapidamente, essa situação.

Por outro lado, não basta o executivo municipal querer construir um posto da GNR na zona da Quinta do Anjo, só para e gastar o dinheiro dos contribuintes. É necessário termos efetivos da Guarda Nacional Republicana e viaturas nos postos que já existem. Não vale a pena inaugurar um posto da GNR que depois não tem efetivos. Isso é a mesma coisa que inaugurar um hospital sem médicos e enfermeiros.

Temos que ter muito cuidado com a forma como gastamos os dinheiros públicos e temos que forçar o Governo a colocar efetivos no nosso concelho, que é o maior da Área Metropolitana de Lisboa.

Outro dos pontos que não queria deixar de referir, prende-se com a criação de um gabinete, ou dar-lhe outro nome qualquer, mas que possa acolher todos os empresários do concelho. Diariamente recebo queixas de empresários que pretendem investir em Palmela e que desistem, porque a burocracia é enorme e existe uma grande falta de apoio. A nossa visão estratégica para a economia do concelho, passa por um acolhimento desses empresários, porque temos consciência que são eles que criam riqueza no nosso concelho.

“A CDU não acompanha a mudança do mundo. Está fechada na sua bolha, acha que tem sempre razão”

– Acusa a CDU de desleixo. Onde é que a CDU falhou nos últimos anos?

Quando estamos muitos anos numa governação, ou num cargo de uma empresa, deixamos de ter a percepção real do que se passa à nossa volta, por isso é que nas empresas há rotatividade nas direções dessas organizações. Portanto, as pessoas não estão uma vida inteira a fazer a mesma coisa, porque perdem a noção das mudanças e por isso a CDU não acompanha a mudança do mundo.  Está fechada na sua bolha, acha que tem sempre razão. Basta assistir às reuniões de Câmara e verificamos que a CDU está mais focada em ganhar as próximas eleições, e consequentemente trabalham para a eleição e não para a comunidade. Esse não é o lema da minha candidatura. O que me move é servir a população da minha terra e ser um elemento facilitador daquilo que são as dificuldades e os anseios da população.

Nasci neste concelho e o que vejo é que parámos no tempo e não desenvolvemos nada, dando-nos ao luxo de perder investimento que trás emprego e riqueza ao concelho.

– O urbanismo tem sido, ao longo dos últimos mandatos, alvo de diversas críticas. Caso seja eleito, o que pretende fazer para desburocratizar um pelouro tão importante como este?

Em primeiro lugar temos que analisar as condições de trabalho das pessoas que estão no pelouro do Urbanismo. Como nunca trabalhei na Câmara Municipal não poderei opinar, mas acredito que, quando formos eleitos, iremos encontrar a solução. Os projetos têm que entrar de forma célere e têm que ser analisados com a mesma celeridade, indo ao encontro da Lei. O que não podemos é permitir que os prazos terminem, e quando estamos perto desses mesmos prazos vamos pedindo um documento, e depois outro. Tem que haver organização.

Imaginemos que o Urbanismo era um escritório de Arquitetura. Já tinha falido há vários anos, porque as pessoas deixariam de lhes dar trabalho. É desta forma que temos que gerir os diversos departamentos. A Câmara Municipal tem que ser gerida como uma empresa, não para dar lucro ou prejuízo, mas para servir e sempre cumprindo os prazos legais.

– Olhando para o Turismo, considera que a promoção turística do concelho tem sido valorizada convenientemente?

Temos um potencial enorme. São promovidas algumas atividades com vista à promoção turística, mas não vejo uma consistência. Não vejo que o Turismo no nosso concelho tenha planeamento para trazer mais pessoas para Palmela.

Temos um Turismo muito virado para o mundo da vinha e do vinho, e aqui também temos que facilitar a vida a quem pretende investir neste setor, indo ao encontro dos nossos empresários, pois só assim, criando mais investimento, poderemos crescer turisticamente.

“Ana Teresa Vicente quando saiu da autarquia deixou a Câmara Municipal com uma dívida muito grande”

 – A limpeza urbana continua a ser um problema por resolver?

Claramente há falta de organização, de disciplina e de rigor de quem tem a e responsabilidade neste setor. E começa logo por quem gere a autarquia, que tem que perceber porque razão as viaturas da Câmara Municipal têm mais horas de oficina do que de trabalho. Tem a obrigação de saber quantas toneladas de lixo cada carro comporta e perceber se o trabalho está ou não a ser feito.

No fundo é seguir os bons exemplos do privado e aplicá-los. Não é difícil, basta haver regras, e essas regras têm que ser cumpridas.

– Como encara a candidatura de Ana Teresa Vicente?

Do ponto de vista político não tem qualquer fundamento. Não podemos esquecer que Ana Teresa Vicente quando saiu da autarquia deixou a Câmara Municipal com uma dívida muito grande, deixou fornecedores à beira da falência. Fez negócios que, ainda hoje, não percebemos, como foi o caso da compra do Espaço Fortuna.

É uma pessoa de uma ideologia partidária, que abomina determinadas coisas, mas que a Dra. Ana Teresa Vicente não faz. Por exemplo a CDU é contra o ensino privado e a senhora candidata teve o seu filho a estudar no melhor colégio privado do distrito. Eu não tenho nada contra isso, mas nunca defenderei uma coisa e farei outra.

Os meus princípios de vida são os que trago para a política e nunca farei aquilo que condeno nos outros.

É, a meu ver, uma candidatura ultrapassada pelo tempo e agora esta completamente fora do timing para liderar a Câmara de Palmela.

– Quais são as linhas orientadoras da sua candidatura?

São precisamente as linhas com que oriento a minha vida: transparência.

Iremos criar a possibilidade da população, se assim o entender, consultar as nossas contas e as nossas decisões. O que pauta a nossa candidatura, quer à Câmara Municipal, quer às Juntas de Freguesia será sempre a transparência e a não corrupção.

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