
Pedro Martins é coordenador e porta voz do primeiro grupo de cante alentejano de Pinhal Novo. Criado há um ano, este grupo nasceu “da vontade coletiva de preservar e viver o cante alentejano”. Tendo como “casa” a Associação de Moradores do Bairro da Cascalheira, Pedro Martins explica em entrevista ao Jornal do Pinhal Novo que “foi ali que encontrámos apoio, proximidade e um verdadeiro espírito comunitário, valores que estão também na base do cante alentejano”.
Cláudia Aldegalega
- O que vos levou a criar o Cante Novo? E porquê a Associação de Moradores do Bairro da Cascalheira para ser a vossa “casa”?
O Cante Novo nasceu de uma vontade coletiva de preservar e viver o cante alentejano, respeitando profundamente a sua tradição e procurando ir às suas raízes. Desde o início, houve a preocupação de trabalhar o cante com rigor, valorizando as vozes, a escuta mútua e o equilíbrio harmónico, elementos essenciais da sua identidade.
O grupo começou de forma muito simples, com apenas 11 elementos, ainda há menos de um ano, e foi crescendo de forma natural, impulsionado pelo entusiasmo, pelo convívio e pelo envolvimento da comunidade.
A Associação de Moradores do Bairro da Cascalheira tornou-se naturalmente a nossa “casa” por ser um espaço vivo, profundamente ligado às pessoas, aberto à cultura e à participação. Foi ali que encontrámos apoio, proximidade e um verdadeiro espírito comunitário, valores que estão também na base do cante alentejano.
- O grupo é composto por quantos elementos?
Atualmente, o Cante Novo conta com cerca de 30 elementos, um crescimento muito significativo em menos de um ano. O grupo é composto por várias gerações e famílias, com pais e filhos a cantar juntos e até três gerações da mesma família. As idades dos elementos vão dos 13 aos 81 anos, o que reflete bem o caráter intergeracional e inclusivo do projeto.
- Apesar de serem um grupo com apenas um ano, contam já com diversas participações televisivas. Fale-nos um pouco dessa experiência.
Apesar de muito jovem, o Cante Novo teve já a oportunidade de participar em programas como o The Voice Gerações e o Estrelas ao Sábado. Estas experiências foram vividas com grande sentido de responsabilidade e orgulho, com atuações que foram muito impactantes e emocionalmente fortes para quem nos ouviu em casa. As reações do público foram muito positivas, com muitos comentários a destacar a emoção, a autenticidade e a força do cante apresentado.

- E na comunidade local, como tem sido a recetividade?
A recetividade da comunidade tem sido extremamente calorosa. Sentimos um apoio muito genuíno, tanto das pessoas como das associações e instituições locais. Temos,também, contado com o apoio importante dos nossos padrinhos, as Construções Costa & Nicolau, bem como de outras empresas locais, da Cascalheira e de fora do bairro, que têm acreditado no projeto desde cedo. Esse apoio tem sido fundamental para o crescimento e sustentabilidade do grupo.
- Estão, neste momento a criar um grupo feminino. Fale-nos um pouco desse projeto.
Sim, está em formação o grupo feminino As Maganas, que já conta com mais de 20 elementos, mesmo antes da sua estreia oficial. Tal como o Cante Novo, o grupo é ensaiado por José Ricardo, cujo papel tem sido determinante no trabalho das vozes, da escuta coletiva e da construção de uma sonoridade coesa, respeitadora do cante tradicional.
Este projeto reforça, também, a dimensão inclusiva do cante. No Cante Novo temos, por exemplo, um elemento natural de Chaves, mas com um profundo amor pelo Alentejo e pelo cante, o que demonstra que o Alentejo não é apenas onde se nasce, mas sobretudo onde se sente.
- Para quando a apresentação oficial do grupo feminino?
A apresentação oficial d’As Maganas terá lugar no dia 31 de janeiro, integrada nas comemorações do 1.º aniversário do Cante Novo.
Nesse dia, e mais uma vez, contando com o apoio da Junta de Freguesia do Pinhal Novo e a Câmara Municipal de Palmela, realizaremos o 1º Encontro de Cante Alentejano no Pinhal Novo. O encontro terá início no Jardim José Maria dos Santos, seguindo depois para a ARPI, onde os grupos terão atuações em palco, culminando num momento de convívio entre todos.
Deixamos um convite aberto a toda a população para se juntar a nós e celebrar connosco o nosso primeiro aniversário, no próximo dia 31 de janeiro, num dia dedicado ao cante alentejano, à tradição, à partilha e ao encontro entre gerações.

