Entrevista com José Miranda, candidato do ADN: “Quero fazer deste concelho um território para todos”

No panorama artístico é conhecido por Zézé Miranda, aos 63 anos o cantor e radialista pretende “mudar o concelho”. Filho de um ferroviário, José Miranda viveu 20 anos na Alemanha,...

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No panorama artístico é conhecido por Zézé Miranda, aos 63 anos o cantor e radialista pretende “mudar o concelho”. Filho de um ferroviário, José Miranda viveu 20 anos na Alemanha, José Miranda considera que “há enormes carências neste concelho, principalmente no que diz respeito ao saneamento”.

Cláudia Aldegalega

– O que o leva a candidatar-se à Câmara de Palmela?

Este é um projeto independente, onde me candidato pelo ADN, onde a base fundamental da minha candidatura é a sinceridade honestidade, tendo como lema “Juntos somos mais fortes” e com determinação e confiança quero e pretendo mudar o concelho, porque há muita coisa que ainda está por fazer em Palmela, que tem uma grande potencialidade e é um dos maiores a nível nacional, e o maior concelho da Área Metropolitana de Lisboa.

– Para si, quais são, atualmente, as maiores necessidades no município?

Há enormes carências neste concelho, principalmente no que diz respeito ao saneamento. Vivemos tão perto de Lisboa é em pleno século XXI é lamentável que haja tanta gente sem saneamento básico. Também a habitação é um problema. No meu entendimento a Câmara Municipal tem o dever de construir fogos com rendas mais acessíveis.

“Palmela está abandonada”

– Mas isso já está a ser implementado pela Câmara Municipal…

Ainda não vi nada. Pode estar em projeto agora que o mandato está a terminar.

Cresci com o 25 de Abril, cresci com valores como a Liberdade, Democracia, Família e Justiça e desde 1987 os políticos adotaram a “mania” de fazer obra pouco antes das eleições e isso é mau. É certo que nem todas as obras se fazem em 4 anos, mas Palmela está abandonada.

Estamos tão perto de Lisboa, somos um concelho com uma riqueza extraordinária, com muita história e cultura, fomos uma potência nas áreas da agricultura e pecuária e neste momento o concelho está abandonado. Por isso quero fazer deste concelho um território para todos, um concelho que seja divulgado em todo o mundo.

– Caso seja eleito, quais os investimentos que serão uma prioridade no seu mandato?

As prioridades passam pelo saneamento e habitação e o que pretendo, pelo menos até 2030 todo o concelho terá que ter acesso a água, eletricidade e saneamento.

Depois temos a habitação, não gosto de lhe chamar de habitação social, mas uma habitação que pode ser adquirida através da Câmara Municipal, mas não nestes moldes em que a autarquia está a trabalhar – comprando apartamentos e arrendá-los, mas construindo fogos habitacionais, que é isso que a Constituição da República Portuguesa prevê.

O meu ideal era termos um hospital, mas não gosto de prometer coisas que não posso cumprir. Mas pelo menos pretendo dotar este concelho de mais saúde, com qualidade e poderemos também ter um centro de saúde que funcione até às 22h00. Porque assim poderíamos tirar mais pessoas dos hospitais, permitindo que as pessoas quando saem do trabalho possam ter acesso a cuidados de saúde. O ideal seria funcionar 24h com pequenas cirurgias.

Na verdade há muita coisa por fazer, porque este concelho está cheio de remendos e eu quero acabar com esses remendos.

Acusa a CDU de desleixo. Onde é que a CDU falhou nos últimos anos?

Falhou nas infraestruturas, acessibilidades e transportes públicos.

Apesar de haver mais transportes públicos, não há um serviço de transportes que tenham horários interligados com a Fertagus ou a CP.

As nossas estradas estão uma desgraça. As zonas rurais, que são a riqueza do nosso concelho estão abandonadas. Não há passeios, parques infantis, não há nada e as pessoas estão abandonadas. Apesar de existir uma Unidade Móvel de Saúde é necessário reforçar esse serviço.

“Sou um homem do mundo, conheci países como a Venezuela, Cuba, Austrália, Suíça e Brasil”

– O urbanismo tem sido, ao longo dos últimos mandatos, alvo de diversas críticas. Caso seja eleito, o que pretende fazer para desburocratizar um pelouro tão importante como este?

Esse é um problema muito grave, não só neste concelho, mas quase em todo o país.

O grande problema prende-se com o licenciamento que demora muito tempo, devido à burocracia e isso não é necessário, não só para a habitação, mas para os empresários que querem fixar-se no nosso concelho e que por vezes abandonam Palmela e vão construir as suas empresas fora do território.

– Uma vez que viveu fora do país, considera que a sua experiencia de vida na Alemanha poderá trazer para Palmela novas ideias e novos conceitos?

Sou um homem do mundo, conheci países como a Venezuela, Cuba, Austrália, Suíça e Brasil, mas durante os 20 anos que me fixei na Alemanha aprendi muito e que poderemos pôr em prática para o bem do povo e da comunidade. 

Acredito que com o que experienciei no estrangeiro, posso criar riqueza para que as pessoas se fixem no nosso território.

“Em Pinhal Novo há falta de higiene, manutenção de espaços públicos”

– Olhando para o Turismo, considera que a promoção turística do concelho tem sido valorizada convenientemente?

Não gosto de criticar, porque não sou político, vim do povo e luto pelo povo. Mas o Turismo em Palmela está abandonado. Devemos preservar a natureza, mas com a riqueza que temos, podemos pôr o turismo a funcionar.

Exemplo disso passará por criar um teleférico que ligue o Castelo de Palmela ao Jardim de Vanicelos, em Setúbal, de modo a interligar Palmela aos concelhos vizinhos. Outro problema é a total ausência de hotéis no concelho. Temos uma pousada e turismo rural, nada mais. Também noto que poderíamos dar outro aproveitamento ao Castelo de Palmela, reforçando e melhorando todo o potencial turístico que temos.

– A limpeza urbana continua a ser um problema por resolver?

Principalmente em Pinhal Novo há falta de higiene e manutenção de espaços públicos.

– Como encara a candidatura de Ana Teresa Vicente?

Não gosto de falar mal de ninguém, mas durante o seu mandato, apesar de ter feito alguma obra, mas não fez nada pelas gerações futuras e por isso, neste momento, o concelho de Palmela está estagnado.

Por outro lado, este interesse em sair da Câmara e ir para a Assembleia Municipal e agora querer voltar à Câmara… Há quem fale em tachos e tachinhos, eu não gosto de falar assim, mas acho que é importante as pessoas trabalharem para a comunidade…

– Quais são as linhas orientadoras da sua candidatura?

Essencialmente é Saúde e Segurança para todos, mais e melhor Educação, apoio ao Desenvolvimento Concelhio, redução do IMI para jovens até aos 40 anos, apesar de considerar que o ideal seria acabar com esse imposto. Reforçar os transportes públicos nas zonas rurais, é também uma das nossas preocupações.

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