Entrevista com Andreia Nicolau, presidente da Associação de Moradores do Bairro da Cascalheira

Assumiu a direção da Associação de Moradores do Bairro da Cascalheira com apenas 23 anos. Agora que o seu mandato está prestes a terminar, Andreia Nicolau faz um balanço...

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Assumiu a direção da Associação de Moradores do Bairro da Cascalheira com apenas 23 anos. Agora que o seu mandato está prestes a terminar, Andreia Nicolau faz um balanço “bastante positivo” dos últimos três anos, lembrando que “foi complicado para mim afirmar a minha posição e assegurar-me que não desrespeitava os valores de ninguém nem os meus princípios”.

Andreia Nicolau considera que sai “com a sensação de dever cumprido, mas com a certeza que há muito mais a fazer”.

– Que balanço faz do seu mandato à frente da Associação de Moradores do Bairro da Cascalheira?

Durante os meus anos de mandato o balanço que faço é bastante positivo, sinto que cumpri o que tinha planeado para a Associação, trazendo ainda mais mérito à mesma. Até vou mais além, sinto que consegui realizar mais coisas do que estavam planeadas.

– O que leva uma jovem a abraçar esse desafio?

Cresci no Bairro da Cascalheira, desde os meus 8 anos que foi a minha casa. Sempre vi os mais velhos a fazer pelo nosso bairro, a ir mais além juntando ao facto dos meus pais serem pessoas bastante envolvidas na comunidade. Eu já fazia parte dos órgãos sociais anteriores e quando surgiu a oportunidade de fazer algo pela sociedade e pelos nossos moradores não pensei duas vezes em aceitar o desafio.

– Nestes três anos de mandato foi criado o grupo de Cante Alentejo Cante Novo e mais recentemente um grupo feminino também de Cante.  Há que referir também as inúmeras atividades que são realizadas ao longo do ano. 

Desde há muitos anos o nosso bairro é conhecido pelos seus eventos e dinamismo que traz ao Pinhal Novo. Claro que ao ser uma jovem tentei trazer aos nossos eventos essa mesma vertente, pensei nas nossas atividades desde os mais pequenos aos mais velhos.

Quando o Pedro Martins trouxe a uma reunião de direção a proposta da criação de um grupo de cante alentejano soube logo que iria ser um sucesso, daí ter dado o meu apoio a 100%. O Cante Novo trouxe, ainda, mais visibilidade ao nosso bairro e tem honrado a tradição alentejana que é símbolo dos moradores mais velhos.

Com o crescimento bastante positivo do Cante Novo surgiu a oportunidade de criar As Maganas, que como todos puderam ver no passado dia 31 de Janeiro. Não há dúvidas que irão dar muito que falar não só no Pinhal Novo, mas por Portugal fora.

Andreia Nicolau a mais jovem presidente da Associação de Moradores do Bairro da Cascalheira

“Eu sou a cara, mas por trás de mim existe uma rede de apoio que sem eles nada era possível”

– Foi fácil trabalhar numa Associação de Moradores com esta dinâmica?

A resposta curta é não. Não foi fácil trabalhar numa Associação de Moradores com esta dinâmica porque quando entrei era miúda com idade para ser neta ou filha de todos aqueles que constituíam os órgãos sociais. Foi complicado para mim afirmar a minha posição e assegurar-me que não desrespeitava os valores de ninguém nem os meus princípios.

Com o passar do tempo tive uma boa base de apoio e tenho a agradecer àqueles que tiveram do meu lado durante estes três anos mesmo aqueles que não faziam parte dos órgãos sociais, mas prontificaram-se sempre a ajudar-me.

Nada se faz sozinho e tenho de dar mérito aos órgãos sociais que se mantiveram firmes, eu sou a cara, mas por trás de mim existe uma rede de apoio que sem eles nada era possível.

–  O Parque Infantil foi uma reivindicação da sua direção e já está concluído.  A recuperação do polidesportivo é também uma “luta” vossa, mas que ainda está por iniciar.  Sai com a sensação de dever cumprido?

O Parque Infantil já tinha sido uma luta de outras direções, claro que ao se ter realizado no meu mandato é um motivo de orgulho. Poder ver aquela obra realizada e a felicidade das crianças ao ver o novo parque infantil, faz com que fique com um sorriso na cara. Durante os meus três anos de mandato foram várias as intervenções e melhorias que fizemos no nosso espaço.

Uma das coisas que me irá ficar na memória foi no Outono de 2024 a poda das nossas árvores, estava chuva e vento, mas a união dos moradores e não só, em realizar esse corte foi maravilhoso de se ver. Graças a isso este Inverno apenas caiu uma pernada da árvore que não conseguimos podar. Sei que fizemos a decisão acertada.

O polidesportivo foi uma luta bastante pessoal. Já tínhamos tentado ganhar o “Eu Participo” pelo menos duas vezes, que eu me recorde. Fiz os possíveis e impossíveis para conseguir assinaturas. Pedi a todos os órgãos sociais o máximo de esforço. Levei a minha pasta para todo o lado para sempre que encontrasse conhecidos lhes pedir que se juntassem à nossa causa. Interrompi várias vezes as minhas refeições para coletar assinaturas, pedi ao Café do Bairro para apelar à causa.

Saio com a sensação de dever cumprido, mas com a certeza que há muito mais a fazer. Confio que os novos órgãos sociais irão manter a linha que eu também mantive – fazer pelo bairro, pelos seus moradores e visitantes. Durante a minha direção o Bairro da Cascalheira ganhou maior visibilidade, o que traz também mais responsabilidade para o futuro. Somos um orgulho para a nossa Freguesia e Concelho já desde há muito. Somos a imagem do que é uma Associação de Moradores e queremos continuar a ser um exemplo.

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