Entrevista com Ana Teresa Vicente, candidata da CDU: “Assumimos que a limpeza urbana é uma das principais prioridades para o novo mandato”

Aos 59 anos Ana Teresa Vicente recandidata-se pela CDU à Câmara Municipal de Palmela pela “necessidade de defendermos alguns valores, com coerência e responsabilidade”. Atualmente a exercer funções como Diretora...

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Aos 59 anos Ana Teresa Vicente recandidata-se pela CDU à Câmara Municipal de Palmela pela “necessidade de defendermos alguns valores, com coerência e responsabilidade”.

Atualmente a exercer funções como Diretora geral em empresa do setor segurador a candidata da CDU defende destaca como sendo uma das maiores necessidades para o concelho de Palmela  “dar mais qualidade ao nosso espaço público, redesenhando e beneficiando ruas e praças, com mais espaços verdes e, paralelamente, a urgente melhoria da higiene e limpeza urbana”.

Cláudia Aldegalega

– O que a leva a recandidatar-se à Câmara de Palmela?

Sem dúvida o gosto pelo exercício de funções públicas – depois de 20 anos em funções executivas no serviço público e 18 anos de experiências diferentes no setor privado e cooperativo – afirmo-o com convicção! Mas também as circunstâncias concretas que vivemos,como a necessidade de defendermos alguns valores, com coerência e responsabilidade, e o desafio de muitas pessoas e organizações, levou-me a tomar esta decisão.

– No seu ponto de vista quais são, atualmente, as maiores necessidades no concelho?

De acordo com o levantamento de situação atualizado e com a visão estratégica, que designamos Palmela 2035, existem necessidades que carecem de resolução imediata, e outras, também importantes, que serão satisfeitas no médio prazo, no contexto dos investimentos associados à construção no novo aeroporto e da terceira travessia do Tejo.

No primeiro grupo, está, por um lado a necessidade de dar mais qualidade ao nosso espaço público, redesenhando e beneficiando ruas e praças, com mais espaços verdes e, paralelamente, a urgente melhoria da higiene e limpeza urbana. Claro que é necessário renovar os sistemas e modelos implementados, garantindo mais capacidade de recolha e mais meios de limpeza,mas importa referir que é, também, necessário apelar e insistir numa mudança dos comportamentos cívicos das pessoas e dos agentes económicos, tanto com incentivos, como com medidas corretivas. Assumimos que a limpeza urbana é uma das principais prioridades para o novo mandato!

Logo a seguir a questão da mobilidade de pessoas e mercadorias é fundamental, e passa por, em articulação com a área metropolitana e com a administração central, promover o aumento da oferta de transporte público coletivo, tendencialmente gratuito, e fazer indispensáveis investimentos nas redes rodoviária e ferroviária, aumentando ainda a rede pedonal e ciclável, o estacionamento qualificado e os interfaces.

“Queremos criar mais zonas verdes e ilhas de sombra em diversos locais, nomeadamente nas zonas mais urbanas do concelho”

– Caso seja eleita, quais os investimentos que serão uma prioridade no seu mandato?

Há investimentos e processos de melhoria na qualidade dos serviços prestados que dependem apenas do orçamento municipal. Há outros que, sendo muito importantes, dependem muito das políticas públicas prosseguidas pelo Estado e, também, dos fundos de financiamento disponibilizados. Começando por aquilo que, sendo imprescindível, depende do município: será indispensável reforçar o investimentona higiene urbana e no tratamento dos espaços públicos, numa maior articulação com as juntas de freguesia, em torno das competências partilhadas; queremos criar mais zonas verdes e ilhas de sombra em diversos locais, nomeadamente nas zonas mais urbanas do concelho. As ações dirigidas à melhoria da mobilidade estão logo a seguir, continuando o investimento na rede viária municipal, com prioridade para as vias estruturantes e para uma circulação com maior segurança; não esquecemos que do lado do investimento da Administração Central, estão as variantes às estradas nacionais 252 e 379, que são inadiáveis! Por outro lado, defendo todo o investimento que contribua para a educação e formação das nossas crianças e jovens, o que significa continuar a investir nas escolas do concelho, sem descurar os projetos educativos. Queremos qualificar e expandir a rede municipal de equipamentos coletivos, em todas as freguesias, permitindo mais investimento na cultura e no desporto. Assumimos responsabilidades na área da saúde e vamos cumpri-las, mas não deixaremos de reivindicar o mesmo junto do poder central! Já na habitação, não existem, felizmente, gritantes situações de indigência habitacional, como as que afligem outros concelhos da Área Metropolitana de Lisboa. Mas existem sim, cada vez mais pessoas e famílias que têm necessidade de habitação digna, com preços comportáveis! E o grande problema dos preços e rendas elevadíssimos devido à especulação e financeirização da habitação, é um problema que carece de uma resposta muito mais ampla e multifacetada.  Pela parte da Câmara Municipal, continuaremos a investir na promoção de habitação a custos controlados, quer com construção própria e renovação da existente, quer mobilizando cooperativas e investidores privados. Temos até uma proposta de criação de uma espécie de “via verde” para os processos de licenciamento que visem esse objetivo.

“Sendo o Plano Diretor Municipal um instrumento fundamental para este objetivo, só posso considerar inaceitável a recente decisão da oposição política de rejeitar a revisão do PDM”

 – O Urbanismo tem sido, ao longo dos últimos mandatos, alvo de diversas críticas. Caso seja eleita o que pretende fazer para desburocratizar um pelouro tão importante como este?

A agilização nas respostas é fundamental. Note-se que Palmela é um concelho com muita procura, sendo até um dos que mais cresceu na Área Metropolitana de Lisboa. É necessário que, quando uma determinada pretensão chega aos balcões da câmara municipal, por parte de uma pessoa individual ou coletiva, designadamente empresarial, a resposta seja rápida. É melhor dizer-se que não é possível satisfazer uma determinada pretensão se for esse o caso, explicando claramente as razões técnicas, legais e, por vezes, ambientais, que estão na base dessa recusa, do que se arrastar no tempo o apuramento e transmissão da decisão. Fala-se muito na metodologia Simplex. Mas agilizar e ser eficiente não pode implicar facilitismo, como às vezes se pretende! É obrigação do município fazer respeitar leis e defender os interesses coletivos das comunidades e da Natureza. Referir, ainda, que os municípios não devem ser meros balcões de receção de pretensões! Quero contribuir para uma alteração deste paradigmaatravés de um planeamento dinâmico, de uma gestão territorial e fundiária proactiva, escutando os intervenientes, e, finalmente, com meios de fiscalização atuantes. Claro que tudo isto exige mais meios técnicos e recursos humanos especializados! Sendo o Plano Diretor Municipal um instrumento fundamental para este objetivo, só posso considerar inaceitável a recente decisão da oposição política de rejeitar a revisão do PDM, após um exaustivo trabalho que conduziu ao parecer favorável de todas as entidades públicas envolvidas no processo. Este comportamento acarretará enormes prejuízos e frustração para inúmeras famílias e empresas, cujos projetos de vida e investimentos podem ficar comprometidos!

 – Olhando para o Turismo. Considera que a promoção turística no concelho tem sido valorizada convenientemente?

Tem sido um domínio de atividade municipal que muito tem evoluído, sendo merecedora de distinções e reconhecimento externo, pretendendo-se que seja aumentada e qualificada, designadamente na sua conexão com os patrimónios natural, histórico e paisagístico. As atividades económicas, agroalimentares como a vinha e ovinho, têm uma forte atratividade turística e cultural. Tal como, aliás, o grande polo industrial e tecnológico que é a Autoeuropa, e muitas outras empresas, que poderão constituir, através de adequadas parcerias, um fatorde grande atração para aqueles que têm curiosidade e interesse pelo desenvolvimento técnico e científico. Já agora, é bom não esquecer quea Arrábida é uma Reserva da Biosfera da Unesco– estatuto recentemente conferido por aquela entidade – e que todo o enorme espaço do concelho está ligado à Reserva do Estuário do Sado, outro valor natural e económico vital.

 – Quais são as linhas orientadoras do seu programa eleitoral?

A Visão Palmela 2035 passa por cinco eixos estratégicos:

a)            Qualidade de vida e bem-estar

b)           Ambiente, Ordenamento do Território, economia Sustentável

c)            Urbanismo Proactivo e espaço público

d)           Cultura, educação e coesão social

e)           Valorização, reforço e inovação no serviço público

Para além destes eixos estratégicos, o nosso programa contempla dez objetivos prioritários, em parte já aqui referidos, e sessenta compromissos concretos que consideramos indispensáveis para que as pessoas se possam sentir mais felizes e criar raízes neste território. Crescer de forma sustentável, contribuir para a formação das novas gerações, com espírito crítico e tolerância, com respeito pelas liberdades, com criatividade e inovação, em defesa do ambiente e do planeta.

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