Fundação COI disponível para receber refugiados

Com actividade iniciada em 1980, Centro de Ocupação Infantil (C.O.I), hoje Fundação COI, assume um lugar de referência no campo da área social não só no concelho...

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Com actividade iniciada em 1980, Centro de Ocupação Infantil (C.O.I), hoje Fundação COI, assume um lugar de referência no campo da área social não só no concelho de Palmela, mas em todo o distrito de Setúbal.

Com 35 anos de existência, é pelas mãos da equipa dirigida por Carlos Taleço que a Fundação COI tem conseguido chegar cada vez mais longe no que diz respeito ao trabalho solidário, ajudando quem mais precisa.

Cláudia Aldegalega

– Que balanço faz do ano de 2015 para a Fundação COI?

No ano de 2015 concluímos todos os projectos que tínhamos pensado em termos de plano de actividades. Claro que foi um ano de crise para a  Fundação, porque as famílias não estão bem, e nós como uma instituição social não estamos a receber em termos de comparticipações familiares aquilo que os serviços custam, e a nossa acção social é intensificada nestes períodos, muitas das vezes sem protocolos com a Segurança Social, na medida em que deixamos de desenvolver acção social por não termos protocolos.

De qualquer forma, a parte financeira da Fundação chegou ao fim do ano, no encerramento de contas, esteve equilibrada, não deixámos de concretizar os nossos objectivos de desenvolvimentos organizacional, portanto, concluímos muita da parte da saúde com o Centro Integral de Apoio da Pessoa com Deficiência, com a entrada em funcionamento da fisioterapia, e assinámos alguns protocolos de prestação de serviços na área da fisioterapia com a área hospitalar de Setúbal. Aumentámos, também, protocolos com companhia na área da saúde, e como tal foi a área que mais concretizámos.

Em termos de respostas sociais, consolidámos algumas. Está tudo pronto, estamos só à espera de assinar o compromisso com a Segurança Social para o Centro de Apoio à Vitima para mulheres vítimas de violência e, portanto, continuámos a consolidação e o funcionamento dentro das normas da qualidade de todas as normas sociais da Fundação.

 

Houve outra área que também se intensificou, e esperamos que em 2016 seja concretizada mais propriamente, que é a área da Cooperação Internacional, e o desenvolvimento ao nível da Europa no âmbito do Horizonte 2020 com alguns projectos a nível europeu, alguns deles que também foram candidaturas em 2015, aguardamos o seu desenvolvimento em 2016, com o CLDS  – Contrato Local de Desenvolvimento Social, em que a Fundação COI será a entidade coordenadora no concelho de Palmela, aguardamos a aprovação do projecto enviado com as outras entidades parceiras, nomeadamente o Centro Social da Quinta do anjo e ADREPES.

No âmbito do programa Prémio, o nosso projecto foi aprovado para desenvolvimento de acções de cidadania nas escolas da freguesia de Pinhal Novo. Ainda em 2015 iniciámos um protocolo com o ISCTE, que só falta assinar o documento, no âmbito do apoio científico ao desenvolvimento das actividades da Fundação, assim como o protocolo com a Ordem dos Psicólogos para o estágio dos psicólogos para a sua carteira profissional.

Em suma há diversas áreas em que estamos empenhados em intensificar, queremos criar uma outra robustez que faz falta às organizações, nomeadamente nas componentes científica e académica e colocar os nossos técnicos a trabalhar com essas entidades.

Ainda no ano de 2015, fomos renomeados vice-presidente executivos da ESSA – Trata-se de uma organização europeia de instituições não lucrativas, e nesse âmbito também temos desenvolvido alguma actividade em reuniões internacionais e no próprio Conselho Económico Social Europeu, na plataforma social e trabalhos ao nível da Comissão Europeia, onde em Abril apresentámos o livro “Da Palavra aos Actos”.

 

– Actualmente a Fundação COI tem quantos trabalhadores/ colaboradores?

Pensamos que meados de 2016 chegamos muito próximo dos 200 colaboradores.

– É uma estrutura muito pesada, embora necessária…

É a estrutura necessária, com os devidos equilíbrios financeiros em termos orçamentais.

Também em 2015 aumentámos a nossa frota com uma carrinha de transporte de crianças mais moderna e adaptada às necessidades e exigências legais. Ê como tal vamos tentado que a organização de ano para ano cresça sempre um pouco.

 

“A cantina social será renovada a partir de Janeiro”

 

– Quando fala do Centro de Apoio à Vitima. O que falta fazer em concreto  para que o mesmo entre em pleno funcionamento?

Está tudo feito para que ele entre em funcionamento, falta só vir o protocolo do Instituto da Segurança Social e Solidariedade para assinar. A equipa técnica está recrutada, tal como as auxiliares, está tudo pronto só falta mesmo assinar o protocolo, que com os tempos e as férias, tem sido protelado.

Será uma estrutura muito confidencial, as pessoas tiveram que ser seleccionadas com um perfil muito rigoroso, e como tal tudo isso leva tempo.

– Entretanto em Janeiro esperam-se obras na cantina social.

Sim, a Cantina Social vai ser renova a partir deste mês. Actualmente apoiamos100 pessoas, embora tenhamos outras em lista de espera, onde damos diariamente uma refeição quente, o almoço, nas condições em que qualquer um de nós vai a um take-away.

Vai continuar a ter a sua função e se o ano de 2015 foi um ano importante porque assinalámos os 35 anos da instituição, agora vamos entrar numa nova fase, até aos 40 anos, com um ano mais dedicado ao desenvolvimento de projectos nacionais e internacionais e candidaturas aos quadros comunitários que de facto são uma ajuda para desenvolver a instituição.

 

“Em 2016 estamos prontos para acolher refugiados”

 

– Tendo a Fundação COI um leque de valências variadíssimo, como é que se consegue viver numa época de crise?

Nós sentimos a crise, até porque as famílias têm menos rendimentos e como tal não podem deixar de continuar a ter apoio e a ter a prestação do mesmo serviço de qualidade como se não houvesse crise, e têm. Contudo os rendimentos são menos. Daí que temos de ter a habilidade de ter estratégias definidas para que na parte orçamental as despesas também sejam controladas ao nível das receitas, de modo a não criarmos desequilíbrios a pôr em causa uma gestão que nós queremos que seja controlada e descansada.

– Sendo a Fundação COI uma instituição atenta às questões sociais. Desde sempre mostraram-se disponíveis para receber refugiados.

Sim, é verdade. Em 2016 estamos prontos para acolher refugiados nuns apartamentos que temos no Montijo. Não nos podemos esquecer que Portugal foi um país de refugiados e que sempre acolheu que mais precisou.

Nós temos de ser solidários a nível global e não a nível só local.

– Falamos de quantas famílias?

Serão três famílias de quatro pessoas e um grupo de dez jovens sem família. Temos já técnicos formados para os acompanhar e como tal está já tudo preparada, embora ainda não haja uma data concreta, pois para bem dos refugiados e de todos nós eles têm vindo a chegar aos poucos.

 

– Ao contrário do que se possa pensar a Fundação COI. Não limita o seu trabalho apenas ao Pinhal Novo.

Não. Trabalhamos também com as pessoas de Poceirão e depois ao nível do Rendimento Social de Inserção trabalhamos com a população de Marateca. Sendo que, como no Poceirão não existia Loja Social, nós criámos uma extensão da loja que temos em Pinhal Novo na freguesia de Poceirão.

Estendemo-nos ao Montijo dadas as circunstâncias de se pensar em abrir os apartamento de autonomização e desenvolvermos isso , e de facto  agora estamos inseridos e participamos na rede social do Montijo, onde participamos no próprio CLAS e interagindo com  a vereação da Intervenção Social da autarquia do Montijo, e como tal somos uns parceiros activos.

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