Entrevista com Paulo Ribeiro, candidato do PSD à Câmara de Palmela: Álvaro Amaro é “um homem que não confia nas suas equipas, não cofia nos trabalhadores da autarquia”

Conta com 8 anos como vereador do PSD na Câmara Municipal de Palmela e não tem dúvida alguma que poderá ser a “alternativa” para o concelho, mas defende que...

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Conta com 8 anos como vereador do PSD na Câmara Municipal de Palmela e não tem dúvida alguma que poderá ser a “alternativa” para o concelho, mas defende que “é preciso votar sem medo de mudar”. Paulo Ribeiro considera que CDU de Palmela “é talvez mais conservadora, mais presa a velhos conceitos de democracia e de poder local, e Palmela tem perdido com isso”.

– O que o leva a assumir, mais uma vez, o desafio de e candidatar à Câmara de Palmela?

Porque em Palmela sente-se uma grande necessidade de mudança e acho que eu posso ajudar a contribuir para essa mudança. Palmela tem perdido muito com a CDU nestes 45 anos. A CDU de Palmela é talvez mais conservadora, mais presa a velhos conceitos de democracia e de poder local e Palmela tem perdido com isso em todos os níveis de desenvolvimento e o que não tem perdido não tem a ver com o poder autárquico, tem a ver com a dinâmica social e cultural das suas gentes. Portanto, achei e acho que não deveria dizer que não ao desafio do PSD, porque acho que posso contribuir para essa mudança e posso contribuir, finalmente, para que Palmela possa finalmente livrar-se do jogo da CDU.

– Como presidente da Distrital do PSD conhece as diversas realidades políticas do distrito. Afirma que a CDU de Palmela é conservadora. Se olharmos para Setúbal, também da CDU, há realmente uma diferente neste comunismo e na forma de gerir os territórios?

Nos últimos 8 anos as coisas pioraram e além do conservadorismo próprio da CDU, que é um partido que está fora do tempo e que ainda vive no tempo da criação da Revolução Russa, agravado com o candidato que a CDU tem tido nos últimos anos, o atual presidente da Câmara Municipal, democraticamente eleito – Álvaro Amaro.

Nós temos um presidente que ainda não percebeu que é presidente de Câmara, ele ainda se acha e age como se fosse presidente de Junta. É um homem que não confia nas suas equipas, não cofia nos trabalhadores da autarquia, desconfia de tudo e de todos, acho que muitas vezes ele desconfia dele próprio, o que faz com que seja de tal forma centralizador e manipulador que não permite que a dinâmica da própria autarquia vá fluindo normalmente, e isso faz com que a autarquia viva de impulsos do presidente, daquilo que ele pensa num determinado momento, que poderá não pensar no momento seguinte. Portanto não há uma estratégia, não há uma dinâmica própria ou um objetivo para o concelho de Palmela e com isto quem sofre são as gentes de Palmela.

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– Então o principal culpado não é só o conservadorismo comunista, mas sim Álvaro Amaro?

Sim, o conservadorismo comunista é agravado pela pessoa Álvaro Amaro, e por isso e tem percebido que Palmela tem perdido ainda mais desde que ele é presidente da Câmara e por isso é tempo de mostrar que há outra vida, outra dinâmica e outra vida para o concelho para além de Álvaro Amaro.

– Da sua experiência enquanto vereador em Palmela, os problemas são os mesmos de há 8 anos, melhoraram ou agravaram?

Os problemas agravaram-se. Há problemas que existem em Palmela que já deviam ter sido resolvidos no século XX. As autarquias tiveram, numa primeira fase, uma grande importância no pós 25 de Abril na perspetiva de infra-estruturar o país. Éramos um país muito atrasado, nomeadamente, na recolha do lixo, saneamento, na distribuição das águas, rede viária e muitas autarquias foram resolvendo esses problemas ao longo destes 45 anos de Poder Local Democrático, mas Palmela não conseguiu resolver.

Nós hoje, e basta ver aquilo que é a campanha dos diversos partidos, sem falar na luta de muitos aos longo destes anos, continuamos a falar da recolha do lixo, da limpeza urbana, dos aceiros que não estão regularizados, da água que não chega a todo o lado, do saneamento que não chega a todas as habitações, e este discursos nós devíamos ter tido nas eleições do século XX. Agora deveríamos falar em modernizar, em aproximar ou da transparência. Aliás nós temos falado nisso, mas infelizmente ainda temos que falar muito nos problemas que já deveriam estar resolvidos e que neste mandato 2017/2021 agravaram bastante.

“O vereador do MIM é um caso de absoluta impreparação para o cargo”

– O fato do PS ter aceite pelouros nas últimas eleições tirou-lhe alguma capacidade de oposição?

Apesar de falar em causa própria, acho que sim. O vereador do MIM é um caso de absoluta impreparação para o cargo. Tem dois ou três discursos onde fico sempre sem perceber se ele fala enquanto vereador, se enquanto presidente dos Bombeiros de Pinhal Novo ou se fala enquanto empresário ligado ao imobiliário. Portanto, nós, PSD, fomos os únicos que ao longo dos anos fomos denunciando uma série de situações e dizendo claramente que este não era o caminho.

– Todos os seus adversários são críticos relativamente à área do Urbanismo. O que está a falhar num dos pelouros mais importantes de uma autarquia?

Uma das coisas que está a falhar e efetivamente a falta de delegações de competências e de falta de confiança nos serviços, que não fazem nada sem que a vereadora do Urbanismo ou o presidente da autarquia tenham conhecimento. O que se gera aqui é uma concentração absoluta entre duas pessoas e como eles desconfiam de tudo e todos e da própria sombra, as coisas não andam.  Com isto criamos desinvestimento no concelho, as pessoas acabam por não querer fixar-se no concelho, e quem sofre é a população.

– Olhando novamente para Setúbal e também para Sesimbra. Poderíamos ter aproveitado a “boleia” destes concelhos para alavancar o Turismo em Palmela?

Naturalmente que sim. Na Rota dos 3 Castelos, Setúbal e Sesimbra têm o mar, mas nós temos a vinha, o campo, temos uma forte ligação à serra e poderíamos criar uma sinergia através da Serra da Arrábida.

Nós não soubemos aproveitar isso, e entretanto deitámos “borda fora” a mais-valia que tínhamos para o Turismo e para a dinâmica económica do nosso concelho – a Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS).

Palmela é a referência do mundo da vinha e do vinho, é em Palmela que se faz a Festa das Vindimas, Palmela foi Cidade do Vinho em 2009 e 2012 (este último Cidade Europeia) e graças à falta de visão da autarquia deixámos que a CVRPS fosse para Setúbal. Isto nunca devia ter acontecido e o responsável é Álvaro Amaro e a CDU.

– Quais são as suas prioridade para o próximo mandato?

Este programa eleitoral mantém muito daquilo que foi dito em 2013 e em 2017.  Contudo é necessário criar nova atratividade e novas dinâmicas para o concelho, porque só assim conseguimos trazer novas pessoas para o concelho, e quer a CDU quer o PS ainda não perceberam isto. Eu entendo que a CDU não queria trazer gente nova para o concelho, porque eleitoralmente eles perdem, o que me custa é que o PS também pense assim.

“É preciso votar sem medo de mudar”

– O slogan do PSD é “Acima de tudo Palmela”, no passado era “Palmela merece mais”. É isso que sente?

Palmela merece mais. Merece que se olhe para Palmela de outra forma e que acima de tudo merece que a nossa atuação enquanto políticos coloquemos Palmela acima de interesses partidários. Acima de tudo temos que servir as pessoas do concelho de Palmela.

– Como define a sua equipa que acaba por ser constituída por pessoas que embora tenham afinidades ao PSD não estão diretamente ligadas à política ativa?

O que procurámos fazer foi trazer gente nova e diferente que trouxesse uma nova dinâmica à política em Palmela. Porque basta mudarmos os números da abstenção e a CDU pode perder as eleições, mas para isso é preciso que as pessoas acreditem que podem mudar, me desta vez têm muitas opções, desde a esquerda à direita. Portanto o apelo que faço é que as populações participem e votem, pois se nós não votarmos isto vai continuar exatamente igual. É preciso votar sem medo de mudar.

– São 9 os candidatos à Câmara Municipal. Acha que o fato de serem tantos candidatos poderá de alguma forma complicar os resultados eleitorais?

A minha dúvida por enquanto ainda se prende com o fato desta dispersão de candidatos poderá ou não ajudar a CDU. Por isso é importante as pessoas perceberem as motivações de cada candidato.  Perceber o que cada um tem para dar ao concelho e perceber se estes candidatos foram coniventes ao longo destes 45 anos com algumas decisões que foram tomadas.

– Refere-se a Carlos Sousa?

Muitos dos problemas de Palmela são oriundos do tempo de Carlos Sousa. A política tem muitos objetivos e há muitas dinâmicas na política, mas os interesses das populações têm que estar à frente dos interesses das nossas inimizades pessoais.

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