“A Câmara Municipal de Palmela é um entrave ao investimento e à captação de riqueza para o concelho”

A 9 meses das Eleições Autárquicas o Jornal do Pinhal Novo desafiou o vereador do PSD, Paulo Ribeiro, a fazer um balanço destes três anos de mandato e a...

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A 9 meses das Eleições Autárquicas o Jornal do Pinhal Novo desafiou o vereador do PSD, Paulo Ribeiro, a fazer um balanço destes três anos de mandato e a perspetivar os próximos meses.

Para o autarca social-democrata este “vai ser um final de mandato marcado pelo combate à pandemia da COVID-19 o que irá colocar dificuldades acrescidas aos nossos munícipes e às nossas empresas”.

Questionado sobre quem será o cabeça de lista social-democrata ao próximo ato eleitoral, Paulo Ribeiro adiantou que “ainda é cedo para que o PSD escolha o seu candidato a Presidente da Câmara Municipal de Palmela”.

– Qual o balanço que faz destes 3 anos de mandato?

O balanço é negativo, pois os grandes problemas do concelho continuam por resolver. Ainda assim, fruto da minha insistência e do PSD, conseguiu-se introduzir o IMI Familiar e reduzir a taxa de IMI para 0,35€, em 2021, indo ao encontro das propostas eleitorais do PSD e das propostas que tive oportunidade de apresentar em reunião de Câmara. Foi uma luta de anos, mas que valeu a pena. Mas ainda não estamos satisfeitos. Quanto ao mais tem sido uma desilusão, com uma maioria cansada e desligada dos reais problemas das pessoas, que colocou sempre a ideologia à frente da resolução dos problemas dos cidadãos e das empresas.

– Quais as expectativas que tem relativamente a este último ano de mandato?

As expectativas são baixas, pois o esgotamento da política da CDU é por demais evidente. Vai ser um final de mandato marcado pelo combate à pandemia da COVID-19 o que irá colocar dificuldades acrescidas aos nossos munícipes e às nossas empresas. Para além da emergência sanitária, o final de mandato vai ficar marcado pela emergência social e económica. Mas, tal como fizemos em Abril de 2020, insistiremos nas nossas propostas para Criação de um Fundo de Emergência Social e de um Fundo Municipal de Apoio ao Comércio Local e às PME’s, de forma a minorar as dificuldades que os nossos munícipes e as nossas empresas irão sentir este ano.

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“Quem perdeu foi Palmela”

– Ao longo dos dois mandatos sente que a CDU que tinha a maioria quando chegou a Palmela e a CDU agora com uma maioria relativa mudou na sua forma de gerir a autarquia?

Palmela viveu uma nova realidade, resultante de perda da maioria absoluta da CDU nas últimas eleições autárquicas. No entanto, ao contrário do que se poderia esperar isto não deu à maioria uma maior tolerância ou espirito de abertura para ouvir as opiniões e sugestões dos outros. Mas isso também é culpa da cumplicidade do PS, que caucionou esta gestão e optou sempre por viabilizar a política da CDU. Quem perdeu foi Palmela.

– Como avalia os investimentos realizados nos últimos anos no concelho?

Existem três investimentos muito importantes que foram feitos ou estão em execução: a Unidade de Saúde do Pinhal Novo, a recuperação da Ribeira da Salgueirinha e consolidação das encostas do Castelo. Estes investimentos, que resultaram de acordos com a administração central no tempo do Governo do PSD, sofreram atrasos consideráveis muito por conta da incapacidade da CDU. Outros investimentos e obras foram prometidos em todos os exercícios orçamentais, mas ano após ano não passaram de promessas repetidas, sem que se tornem realidade.

– No seu entender o que falta fazer ou o que poderia ter sido melhorado?

Entre os problemas que mais preocupam os nossos munícipes encontram-se as condições da rede viária, a limpeza e a higiene urbana, que são funções essenciais para o dia-a-dia dos nossos concidadãos. Este mandato ainda não fez destas funções o centro da atividade municipal, reservando-lhe verbas incipientes que não resolvem os problemas com que um concelho da dimensão de Palmela se vê confrontado. Acrescentaria, ainda, a rede de abastecimento de água e de esgotos que está obsoleta e que tem provocados inúmeros problemas aos nossos munícipes. O exemplo mais dramático tem sido o Pinhal Novo, que no início do ano foi confrontado com inúmeras roturas na rede de águas, o que provocou redução na pressão e falhas no abastecimento. Outro problema, que já existia antes da pandemia, mas que esta agravou, é o atraso nas respostas dos serviços da autarquia, em especial o urbanismo, aos pedidos dos nossos munícipes e das empresas. A Câmara Municipal de Palmela, apesar da boa vontade dos seus trabalhadores, graças às insuficiências e falta de visão da CDU, é um entrave ao investimento e à captação de riqueza para o concelho.

“Carlos Sousa é uma pessoa simpática (…) ainda assim não deixo de notar que é um globetrotter da politica”

– O PSD já tem candidato à presidência da Câmara de Palmela? É o Paulo Ribeiro?

Não, ainda é cedo para que o PSD escolha o seu candidato a Presidente da Câmara Municipal de Palmela. O processo de escolha ainda está em discussão nos órgãos internos do partido, numa primeira fase ao nível concelhio, depois ao nível distrital e finalmente ao nível nacional que homologará os candidatos às Câmaras Municipais. Ainda assim tenho recebido muitas manifestações de apoio e muitos incentivos para me voltar a recandidatar e, não escondo, que isso me faz ter entusiasmo por uma candidatura. Essas manifestações de apoio, dentro e fora do PSD, da esquerda à direita, são fruto da oposição construtiva que tem sido feita por nós e dá-nos força para continuar o nosso trabalho. Mas, a seu tempo o PSD apresentará o seu candidato.

– Mas para além das manifestações de apoio, qual é a sua vontade?

Eu já tinha sinalizado a minha disponibilidade para ser candidato e voltar a abraçar este desafio.

– Carlos de Sousa, antigo presidente da autarquia, será candidato nas próximas eleições autárquicas. Acha que está candidatura poderá ser prejudicial para a CDU?E para o PSD?

Carlos Sousa é uma pessoa simpática e por quem tenho estima pessoal. Ainda assim não deixo de notar que é um globetrotter da política, pois já foi autarca em Almada, Palmela e Setúbal onde deixou um rasto de indecisão e incompetência, que só foi camuflado pela sua simpatia. Muitos dos problemas que Palmela tem são fruto do seu trabalho nesta autarquia, sendo os exemplos mais flagrantes o caos urbanístico e a rede viária. Ao contrário do que se possa pensar, acho que esta candidatura é fruto de um projeto pessoal e que poderá provocar uma grande dispersão de votos, o que só beneficiará a CDU.

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