Valentim Pinto cumpre mandato até ao fim

Depois de mais de um ano de polémica em torno do presidente da Junta de Freguesia de Quinta do Anjo, onde o PCP nunca se pronunciou, oficialmente,...

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Depois de mais de um ano de polémica em torno do presidente da Junta de Freguesia de Quinta do Anjo, onde o PCP nunca se pronunciou, oficialmente, sobre as divergências entre membros eleitos pela Coligação Democrática Unitária.

Valentim Pinto explica, em exclusivo, ao Jornal do Pinhal Novo as razões que o levam a não candidatar-se à Junta de Freguesia, nas Eleições Autárquicas do próximo dia 1 de Outubro.

– Numa altura em que estamos prestes a conhecer os candidatos da CDU à autarquia de Palmela e respectivas Juntas de Freguesia do Concelho. Porque é que não se recandidata a mais um mandato?

Não me recandidato novamente à Junta de Freguesia de Quinta do Anjo porque as estruturas locais do PCP assim o entenderam.

Os argumentos que me apresentaram os responsáveis do PCP pelo Concelho e pela Freguesia foram, basicamente, os seguintes:

Reconheciam a qualidade do meu trabalho autárquico ao longo dos anos em que tenho desempenhado estas funções;

Reconheciam que foi desenvolvida uma campanha política sórdida contra mim por parte de pessoas com motivações políticas e até pessoais diversas, mas convergentes;

Reconheciam que as estruturas locais do PCP não agiram, na altura, com a rapidez que as circunstancias exigiam em defesa do Executivo da Junta de Freguesia e da minha defesa política em particular;

Contudo, a avaliação que faziam era de que eu sofrera um processo de desgaste politico e pessoal e, por essa razão, seria melhor ficar resguardado não me voltando a recandidatar!

– Considera que os problemas causados de há um ano a esta parte por eleitos da CDU na Quinta do Anjo possa estar na base dessa decisão?

Há cerca de ano e meio, dois elementos eleitos pela CDU para a Assembleia de Freguesia abandonaram este projeto politico e passaram a alinhar em todos os momentos e actos com a oposição PS/PSD/CDS. Um deles militante do PCP até se demitiu, por iniciativa própria, do Partido.

Claro que com esta decisão a CDU perdeu na Assembleia de Freguesia a maioria absoluta que tinha e que havia sido recuperada comigo, como cabeça de lista, em dois atos eleitorais seguidos, depois de cerca de 20 anos em que a CDU apena tinha conseguido maiorias relativas nos atos eleitorais para esta Freguesia.

A partir destas duas saídas para o lado da Oposição, tudo o que o Executivo da Junta de Freguesia apresentava na Assembleia de Freguesia passou a ser sistematicamente reprovado com prejuízo até de natureza financeira que se repercutiam no Serviço Público que prestamos às Populações.

 

“O problema está no facto de um número muito reduzido de pessoas medíocres no plano pessoal e político que estão no Secretariado da Concelhia”

 

– Sente-se injustiçado pelo seu partido?

Sinto-me injustiçado no plano politico e pessoal sobretudo porque quando as varias convergências politicas e pessoais atacaram o Executivo e particularmente a mim, os Órgãos Concelhios do PCP estiveram paralisados pela ação de três elementos do Secretariado da Concelhia do PCP que impediram, repetidamente, que a decisão soberana da Comissão Concelhia que aprovara, reiteradamente, a necessidade de uma tomada politica do PCP não se concretizasse!

Estes três elementos (agora são só dois) aprisionaram o Partido no Concelho, desrespeitando as decisões aprovadas na Comissão Concelhia que volto a repetir, neste caso concreto eram decisões soberanas.

Este facto – e a decisão agora – de não me poder recandidatar demonstram que o principio politico do Centralismo Democrático no PCP – em que eu me reconheço – é, contudo, uma faca de dois gumes! Tanto pode servir, se bem aplicado, para a coesão e defesa do PCP perante os seus adversários políticos como pode permitir, também, se mal utilizado ou em mãos pouco dignas dos cargos que ocupam ser um instrumento antidemocrático e de utilização manipuladora como foi o que sucedeu em todo este processo, porquanto eu sei que a esmagadora maioria da Concelhia do PCP de Palmela – a que eu também pertenço  – não se revê nesta decisão, nem agora, nem na forma como o PCP esteve “anestesiado” politicamente em todo este processo!

– Alguma vez sentiu-se apoiado pelo PCP durante este período conturbado?

Senti-me sempre apoiado – e mesmo agora nesta decisão de não poder recandidatar-me – pela esmagadora maioria dos militantes do PCP no Concelho e na Freguesia, como o é comprovado pelas várias dezena de manifestações de apoio expressas à minha pessoa e todo Executivo da Junta de Freguesia, nomeadamente na Comissão Concelhia do meu Partido.

O problema está no facto de um número muito reduzido de pessoas medíocres no plano pessoal e politico que estão no Secretariado da Concelhia terem boicotado e deturpado os princípios essenciais do Centralismo Democrático.

 

“A Policia Judiciaria investigou tudo o que entendeu dever investigar e o processo foi arquivado”

 

– Continua à frente da Junta de quinta do Anjo até ao fim do mandato ou tenciona sair já?

Claro que vou continuar até ao fim do mandato a exercer as minhas funções com a mesma dedicação e empenho de sempre!

Aliás, relembro, que quando todos os cinco elementos que compõem o Executivo da Junta de Freguesia, e no qual me incluo, aqui há cerca de um ano ponderaram pedir coletivamente a demissão os Órgãos locais do PCP pediram-nos e pressionaram-nos mesmo para que não o fizéssemos e aquentássemos aquelas campanhas vis das várias Oposições!

Nós, em nome dos interesses do PCP, e sobretudo da População da Freguesia, aguentamos tudo e, sobretudo por isso, esta decisão assume uma dimensão de ingratidão politica e pessoal imperdoável!

– Considera que a sua imagem pessoal e política ficou desgastada?

A minha imagem politica e pessoal não foi beliscada porquanto as pessoas (poucas diga-se em abono da verdade) que acompanharam em pormenor estes terríveis dois últimos anos sempre me manifestaram o seu incondicional apoio e porquanto a esmagadora maioria da População que à distância ou simplesmente nem se apercebem do que foi sucedendo, continua a avaliar o trabalho concreto que temos efetuado neste território e essa avaliação é extremamente positiva.

– Foram realizadas algumas investigações devido a denúncias. Em que fase se encontrar essas mesmas investigações?

Houve uma queixa anónima contra mim, enquanto Presidente da Junta de Freguesia, aludindo a que utilizaria indevidamente a viatura da Junta.

A Policia Judiciaria investigou tudo o que entendeu dever investigar e o processo foi arquivado por falta do mínimo de indício. Daí que nem tenha sequer chegado aos Tribunais.

Houve outra queixa, basicamente no mesmo sentido, por parte de um ex CDU que se passou para a Oposição. A Inspeção Geral de Finanças efetuou as investigações que entendeu e o processo seguirá, estou absolutamente certo, o mesmo destino.

– Sente que fica muito trabalho por fazer?

A Freguesia de Quinta do Anjo, como todos os territórios precisa, obviamente, de continuar o seu processo de qualificação a vários níveis, mas o trabalho efetuado tanto pela Câmara Municipal como pela Junta de Freguesia são merecedores de rasgados elogios públicos que muito nos apraz registar.

– Uma vez que a saída está anunciada, o que tem a dizer os eleitores que votaram em si?

Aos eleitores da Freguesia quero deixar uma palavra de agradecimento pelas maiorias absolutas que nos voltaram a dar – depois de quase 20 anos com maioria relativa – e quero deixar uma palavra de reconhecimento pelo carinho pessoal que demonstraram e que se está a expressar nas dezenas de telefonemas e mensagens que contínuo todos os dias a receber em relação particularmente à recusa da minha recandidatura por parte de “quem manda” no PCP neste Concelho.

– Quanto a futuro. Continuará ligado à política e ao PCPC?

Continuarei, obviamente, militante do PCP!

Continuarei, obviamente, a apoiar todas as candidaturas da CDU aos Órgãos Autárquicos nas próximas eleições!

Não confundo o Partido com duas ou três pessoas!

O meu Camarada Jerónimo de Sousa, em entrevista a um órgão da Comunicação Social, dizia que no PCP “não somos todos bons rapazes”! Palavras cheias de sabedoria como o comprova a prática de um numero reduzidíssimo de militantes do PCP no Concelho de Palmela mas que estando em Órgãos decisores fundamentais deturpam o Centralismo Democrático acabando por prejudicar a própria ação politica do PCP neste Território!

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