Plano de Operações Distrital apresentado em Palmela

Na passada quarta-feira, 19 de Junho, foi apresentado, no auditório da Biblioteca Municipal de Palmela, o Plano de Operações Distrital 2019, por Elísio Oliveira, Comandante Distrital de...

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Na passada quarta-feira, 19 de Junho, foi apresentado, no auditório da Biblioteca Municipal de Palmela, o Plano de Operações Distrital 2019, por Elísio Oliveira, Comandante Distrital de Setúbal. O plano, em execução desde Janeiro do presente ano, que decorre da Directiva Operacional Nacional nº 2 – DECIR (Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais), no qual constam a prevenção, a detenção e o combate, “é um instrumento de planeamento e visa, também, que todo o trabalho que seja feito, pelas diferentes entidades, seja articulado e tenha por base a normalização dos procedimentos”, explicou o comandante.

Elísio Oliveira, durante a apresentação do plano, frisou a importância do trabalho em equipa dos diferentes elementos de Protecção Civil, “é importante que em conjunto consigamos tratar aquilo que são, acima de tudo, a salvaguarda da vida humana, do património e do ambiente”, explicando que “é fundamental afirmarmos que, mesmo na defesa da floresta contra incêndios, a intenção passa, obrigatoriamente, por garantir, permanentemente, a vida e a segurança dos cidadãos e dos operacionais e garantir, num segundo momento, a salvaguarda do património e do ambiente”.

O comandante distrital mostrou-se preocupado com “o despovoamento do interior e o envelhecimento da população rural”, que é um facto no distrito, assim como as condições meteorológicas, que “não podemos de forma alguma desvalorizar, [uma vez que] estas condições são cada vez mais favoráveis ao desenvolvimento de incêndios florestais que se tornam mais complexos e violentos”. Apesar destas condições, segundo Elísio Oliveira, a principal ameaça é na verdade “pensar que detemos todo o conhecimento, que está tudo resolvido, que podemos estar descansados porque temos planos, mas a realidade é que quem combate incêndios, há varias décadas, entende que o comportamento dos incêndios há 20 ou 10 anos é completamento diferente daquilo que temos hoje”.

Elísio Oliveira fez recordar, entre outros, os ocorridos em Pedrogão Grande, no qual “grande parte das pessoas assumiram comportamentos de risco”, esclarecendo que “é importante aprender, para que situações como estas não voltem a acontecer”.

O comandante referiu que “todos temos uma ameaça comum, a natureza não está preparada para combater incêndios, mas há um conjunto de acções e de bons exemplos que temos, no nosso distrito, que têm de continuar a ter efeito”, referindo a implementação, em Grândola, do primeiro programa “Aldeias Seguras, Pessoas Seguras”, no distrito, e a acção “Arrábida sem carros”, da Câmara Municipal de Setúbal.

Relativamente ao ano de 2018, no distrito de Setúbal verificaram-se zero reacendimentos de fogos, o que, segundo Elísio Oliveira traduz “além da eficácia, a eficiência de todos os combatentes”, sendo que “grande parte dos grandes incêndios florestais do país têm origem em reacendimentos”. De acordo com o relatório do Instituto da Conservação da Natureza e das Floresta –  ICNF, consoante mencionou o comandante, no último ano, o distrito teve, ainda, menos 52% das ocorrências relativamente à media anual dos últimos dez anos, e menos 70% de área ardida.

Este ano, no distrito têm sido realizadas “um conjunto de acções no terreno operacional, envolvendo diferentes agentes de Protecção Civil”, assim como “acções de ferramentas mecânicas, que permitem que um conjunto de elementos dos corpos de bombeiros estejam preparados para trabalhar com os equipamentos”, referiu Elísio Oliveira, explicando que “este plano pretende ser simples, dinâmico, adequado e preciso, de forma a que seja clara a atribuição de competências e de responsabilidades a todos os intervenientes”.

Relativamente aos operacionais, o comandante distrital disse que “aquilo que temos no distrito é um acréscimo no número de equipas, poderemos contar na fase mais complexa, a fase nível 4, que inicia a 1 de Julho, com 417 operacionais correspondendo a 81 equipas”. Quanto às equipas de intervenção permanente, “este ano temos 17, doze que já estão em pleno desenvolvimento e 5 em construção que irão entrar em funcionamento a 1 de Julho” com 85 operacionais.

Álvaro Amaro, presidente da Câmara Municipal de Palmela, presente na apresentação do plano, referiu que  “creio que o primeiro apelo que temos de continuar a fazer é para que todos os nossos cidadãos assumam, também, as suas responsabilidades de uma cultura de prevenção e segurança”, uma vez que “há determinados comportamentos cívicos que têm de ser prevenidos”. O autarca mostrou-se, ainda, satisfeito com o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelos elementos de Protecção Civil, “todo o trabalho prévio que tem sido feito, pelos vários serviços de Protecção Civil, dá-nos, de facto, sobretudo, esta confiança de que temos condições para trabalhar bem também este ano”.

 

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