Câmara Municipal aprova voto de pesar pelo falecimento de Fonseca Ferreira

A Câmara de Palmela aprovou, por unanimidade, na passada, em Águas de Moura, um voto de pesar pelo falecimento de António Fonseca Ferreira, a 14 de Janeiro,...

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A Câmara de Palmela aprovou, por unanimidade, na passada, em Águas de Moura, um voto de pesar pelo falecimento de António Fonseca Ferreira, a 14 de Janeiro, vítima de doença prolongada.

Da vasta actividade que exerceu ao longo da sua vida, com destaque para a presidência da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, António Fonseca Ferreira foi também vereador da Câmara Municipal de Palmela, eleito pelo Partido Socialista, no mandato 2009-2012.

Natural de Trancoso, distrito da Guarda, António Fonseca Ferreira iniciou a sua carreira no Laboratório Nacional de Engenharia Civil, tendo seguido, depois, para o Fundo de Fomento da Habitação, onde foi Director de Serviços, e mais tarde, foi Director Municipal e Assessor do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Presidiu, durante mais de uma década, à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo e esteve à frente da Empresa Arco Ribeirinho Sul, entre 2010 e 2011. Fez, também, parte desta casa, tendo assumido o papel de vereador da Câmara Municipal de Palmela pelo Partido Socialista, no mandato 2009-2012.

Com uma licenciatura em Engenharia Civil, pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, e o Doctorat du 3ème Cycle, pela École Pratique de Hautes Études de Paris, Sorbonne, foi Assistente e Professor Associado Convidado no ISCTE, entre 1976 e 1997, tendo leccionado, também, em instituições académicas como a Universidade do Porto, a Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa ou o Instituto Superior de Gestão da Universidade de Coimbra.

Fonseca Ferreira iniciou a sua actividade política nas Associações de Estudantes de Coimbra e da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e destacou-se enquanto resistente antifascista, tendo integrado a Comissão Democrática Eleitoral, primeiro no Porto, em 1969, e mais tarde, na Comissão Nacional, em 70/71, o que lhe valeu 30 dias na prisão de Caxias e a condenação a cinco anos de prisão (remíveis em dinheiro), na sequência de julgamento em Tribunal Plenário.

A cumprir serviço militar em Mafra, e mais tarde, no Lumiar, a actividade política valeu-lhe novo castigo, em 1973, recebendo ordem de cumprimento do serviço militar, em regime disciplinar, em Moçambique. Desertou para França, onde obteve asilo político, regressando a Portugal apenas em Dezembro de 1974.

Em 1976, fundou o Grupo de Intervenção Socialista, com Jorge Sampaio e João Cravinho, entre outros, e integrou o Centro de Estudos Socialistas, em 1978, e o Movimento para o Aprofundamento da Democracia, em 1983.

“Homem de trato fácil e grande humildade, deixa-nos um vasto legado nas áreas do urbanismo, ordenamento do território e desenvolvimento regional. Imprimiu a sua visão estratégica de norte a sul do país, sendo responsável por vários Planos de Pormenor, PDM e Planos Estratégicos, destacando-se a coordenação da elaboração do Plano Estratégico Lisboa 2020”, pode ler-se no documento aprovado.

O profundo interesse pelas políticas de habitação e a gestão estratégica das cidades está no cerne da sua vasta obra literária e deu o mote, também, para a Revista Sociedade e Território, que fundou em 1985 e dirigiu até 2012, refere o voto de pesar., que endereça sentidas condolências à família, de António Fonseca Ferreira.

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