Pedro Monchique há 25 anos a dar-nos música

Tem 39 anos e afirma ter conhecido as “belezas de Palmela” aos 15 anos quando se apaixonou por uma jovem de Algeruz, hoje sua mulher e mãe...

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Tem 39 anos e afirma ter conhecido as “belezas de Palmela” aos 15 anos quando se apaixonou por uma jovem de Algeruz, hoje sua mulher e mãe dos seus filhos, mas sublinha que a “paixão pelas gentes de Palmela fortaleceu mais tarde “quando fui desafiado a vir animar algumas festas locais”. Hoje, a celebrar 25 anos de carreira, Pedro Monchique, também conhecido como DJ Monchique garante que o publico “palmelão” é diferente e muito especial.

– Como é que descobriu Palmela?

Descobri Palmela através da minha esposa, quando tinha apenas 15 anos. Na altura estudávamos na mesma escola. E foi nessa altura que descobrir os “prazeres” do mundo rural, neste caso Algeruz, que me mostrou o choque entre o mundo rural e o mundo urbano, ainda assim não deixei de me apaixonar por esta diversidade.

– Como é que um jovem, na altura com 15 anos, se inicia como DJ?

O meu pai já estava ligado à música, era vocalista de um grupo “Contágio”, que por sinal também era conhecido em Palmela. Daí não ter sido difícil, porque estando meu pai ligado à música.

– Mas foi uma decisão aceite por toda a família?

Não. Tal como aconteceu a dada altura com o meu pai, a minha avó não concordou muito com uma vida ligada ao mundo da música, mas o futuro encarregou-se de lhe mostrar que havia uma certa vocação para esta área e aos poucos consegui profissionalizar-me.

– Olhando para o seu percurso profissional. Hoje podemos considerar que é um DJ com carreira no estrangeiro?

Não sou, ainda, um DJ que percorre o mundo, mas tenho uma residência anual, de uma semana em Espanha, com os estudantes finalistas nacionais, onde faço animação para cerca de 10.00 estudantes portugueses. Contudo, levo mais o nome do distrito a outros pontos do país, onde tenho feito muitos trabalhos.

“Fui extremamente bem recebido pelo público palmelão”

– Quando descobriu Palmela a nível profissional?

A determinada altura da minha vida, cruzo-me na noite, com o Luís Pedro Mares e nunca perdemos o contacto. Nessa época pouco vinha a Palmela, e quando vinha era para assistir ao Cortejo da Festa das Vindimas.

Em 2012/2013 recebo um telefonema do Luís Pedro Mares a dar-me conta de que estava ligado à direcção da Sociedade Filarmónica Humanitária e convidou-me para fazer parte do elenco da edição de 2013 da White Party.

Foi simplesmente brutal! Fui extremamente bem recebido pelo público palmelão. Aliás foi tão bom, que vim dois anos seguidos.

Dois anos depois regressei novamente à White Party, e foi nessa altura que surgiu a possibilidade de integrar o programa da Festa das Vindimas. Numa primeira fase a animar as noites à porta do Barril, e em 2017 fui desafiado a trazer a Palmela, na noite de encerramento da Festa das Vindimas, o meu projecto SaxChique.

– Arrisca muito a nível profissional?

Sim, sem dúvida. Gosto muito de arriscar e de fazer coisas que aparentemente poderão levar-me a fazer algo que ultrapassa aquilo que eu sou capaz. Exemplo disso foi a minha presença no Carnaval da Humanitária, no passado mês de Fevereiro, com o Baile Chique.

O BaileChique começou por ser uma ideia que visa assinalar os meus 25 anos de carreira, e onde pretendo criar seis compromissos durante o ano de 2018, onde as pessoas me poderão ouvir a passar temas que até então nunca tinham ouvido. A ideia é mostrar-lhes que também consigo chegar a outros conceitos musicais. E, também aqui, regressar a Palmela foi uma verdadeira surpresa.

– Valeu a pena?

Já tinha sido avisado que o Carnaval da Humanitária é coisa séria, é vivido com grande intensidade, mas para mim voltou a ser uma grande surpresa. Sem dúvida alguma que o público palmelão é diferente e muito especial.

Posso dizer que vivi 6 horas brutais de Carnaval.

– Como é que surgiu o projecto SaxChique?

O Sandro Ferro já tocava comigo de forma esporádica em alguns eventos que eu fazia. A dada altura, e por coincidência, nos arredores de Palmela surgiu a possibilidade de fazermos um baptizado em conjunto, e assim nasceu o projecto.

No fundo o SaxChique é uma cadência dançável com músicas dos anos 70, 80 e 90, que tem resultado muito bem.

– Com 25 anos de carreira e com uma vida familiar, como consegue gerir duas vidas tão distintas?

Não é difícil, mas também não é fácil.

Em primeiro lugar temos de ter ao nosso lado uma pessoa que confie em nós e que saiba compreender e aceitar a vida da noite, pois nem tudo é negativo.

Trabalhamos as mesmas 8 horas, como um funcionário de uma empresa ou de um organismo publico, e eu tenho a sorte de ter uma mulher fantástica ao meu lado, que sempre me apoiou quer na minha vida profissional, quer nas minhas decisões.

– O seu filho mais velho, o Afonso, já começa a dar sinais de que poderá vir a ter um futuro como DJ…

O Afonso tem 11 anos, mas eu costumo dizer que não vou cortar as asas ao meu filho.

Ele será aquilo que quer, mas dentro das minhas condições. Vai, provavelmente, cometer os mesmos erros que eu cometi, pois foi assim que eu aprendi, mas agora será diferente, porque estarei sempre na sombra dele a encaminhá-lo no melhor sentido. Aliás o Afonso será certamente um DJ 50 vezes melhor que eu.

– 2018 é o ano em que assinala os 25 anos de carreira. Vai ser um ano forte?

Vai. Em 208 fiz finalmente algo que deveria ter feito há 15 anos… uma página na internet.

A 14 de Abril será apresentada, na Casa da Baía, em Setúbal, uma biografia digital sobre estes meus 25 anos de carreira, mas onde será possível ver também a componente pessoal dos meus 40 anos de existência.

Nessa mesma noite farei uma festa no Absurdo, onde irei comemorar os meus 40 anos de idade.

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