
Com o Estado de Emergência e as medidas impostas pelas autoridades nacionais, muito se tem falado nos possíveis constrangimentos que poderão surgir em diversas áreas profissionais. Em entrevista ao Jornal do Pinhal Novo, o enólogo Filipe Cardoso, da SIVIPA e Quinta do Piloto, falou-nos dos possíveis constrangimentos que poderão surgir na vitivinicultura.
– Que impactos está a ter o estado de emergência na vitivinicultura?
Está a ser fácil manter os trabalhadores na vinha?
Na vinha não estamos a sofrer constrangimentos, uma vez que, quando a pandemia começou, já tínhamos acabado a poda das vinhas, que é uma altura muito importante e em que existe um aglomerado de pessoas na vinha, sendo mais difícil manter a distancia de segurança. Esta é uma fase mais parada, com menos trabalhos, em que começamos a fazer um ou outro tratamento e mobilização do solo, sendo o trabalho feito por tratoristas, em que, normalmente, fazem o trabalho isolados, sem haver perigos de contaminação.
– E no trabalho na Adega?
No caso da SIVIPA ou da Quinta do Piloto o trabalho está a decorrer normalmente com as devidas precauções?
Na adega da Quinta do Piloto os trabalhos continuam, pois esta é a fase da separação do Moscatel das massas, ou seja, uma fase muito importante, mas que só precisamos de dois funcionários, permitindo também cumprir distâncias de segurança. É claro que todos os nossos funcionários usam materiais de proteção individual, e lavam e desinfetam frequentemente as mãos. Na Sivipa, paramos a produção durante a última quinzena de Março, pois tínhamos stocks suficientes, e porque percebemos um decréscimo muito significativo das encomendas. Retomamos o trabalho nesta segunda feira, devido a encomendas que já tínhamos em carteira, e que foi necessário iniciar a produção, para cumprir com os compromissos assumidos.
– A nível de vendas nacionais e exportações é possível fazer um balanço?
Tanto na Quinta do Piloto como na Sivipa houve uma quebra muito significativa. O canal Horeca está completamente parado, pois, devido ao estado de emergência, fecharam a maior parte de Restaurantes e Hotéis. As grandes superfícies, incidiram as suas compras, nas duas últimas semanas de Março a bens de primeira necessidade, ficando o vinho para segundo plano. Observamos, agora, o retomar de alguma normalidade, mas somente por parte dos Supermercados. A maior parte das exportações do mês de Março foram canceladas, no entanto, as exportações de Abril não foram canceladas, e é o mês em que tínhamos o maior volume de exportações previstas.
– Como tenciona ultrapassar esta situação sobretudo no campo onde as vinhas necessitam de cuidados específicos?
Nas vinhas, não houve qualquer impacto, os trabalhos estão a ser realizados normalmente.

