A localidade de Quinta do Anjo, situada a cerca de 3 quilómetros de Palmela, tem desde há mais de 3500 anos, antes de Cristo, as grutas artificiais, que segundo a equipa de arqueológicos, liderada agora por Vítor Gonçalves e Ana Sousa, serviram de espaço sepulcral, até aos finais do 3º milénio.
As primeiras escavações nas Grutas Artificiais de Quinta do Anjo, foram feitas por Carlos Ribeiro e António Mendes, decorria o ano 1876.
As descobertas revelaram na altura, importantes achados, contudo, 110 anos depois e através de António Inácio Marques da Costa, as grutas voltam a revelar novos motivos de interesse histórico e arqueológico.
141 Anos depois das primeiras escavações, e em pleno ano 2017, as grutas artificiais do Casal do Pardo, em Quinta do Anjo, voltam a suscitar interesse e desta vez, por parte de uma vasta equipa de arqueólogos, sob a direcção de Victor S. Gonçalves, Ana Catarina Sousa (UNIARQ, Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa) e de Michelle Santos (Câmara Municipal de Palmela), revelam a continuidade do espaço sepulcral do Casal do Pardo.
Grutas depois de requalificadas receberão visitas guiadas em várias línguas estrangeiras
Entretanto, notem, para se assinar o Dia Internacional da Arqueologia teve lugar a apresentação e visita guiada às grutas, onde ficou patente, perante entidades oficiais da autarquia de Palmela e alguns populares de Quinta do Anjo, a investigação do monumento, que evidencia o Culto da Morte, por se incluir em todo o espaço, práticas funerárias idênticas às do Megalitismo no Centro e Sul de Portugal. As Grutas de Quinta do Anjo, identificadas e escavadas em 1876, pela Comissão dos Serviços Geológicos, as Grutas Artificiais de Casal do Pardo, constituem um sítio do hipogeísmo em Portugal, conhecido da comunidade científica europeia desde o século XIX.
Adília Candeias, vereadora da Câmara Municipal de Palmela, agradeceu ao arqueólogo Victor Gonçalves, Ana Catarina Sousa, responsáveis pelos trabalhos arqueológicos e a Michelle Santos (Câmara Municipal de Palmela).
A vereadora relembrou que “ao fim de 141 anos da primeira descoberta, fazemos agora a terceira intervenção, que revelou formas diferentes das grutas”, e reforçou que “temos tido um esforço, no sentido de preservar o nosso património” e relembrou que, “no final dos anos 90, a autarquia de Palmela assinou um protocolo com a Direcção Nacional do Património, onde nos comprometemos a vigiar as nossas grutas, considerado Monumentos Nacional”.
Adília Candeias estava satisfeita pelo trabalho realizado no local, “que agora e através dos Fundos Portugal 2020, conseguimos integrar estas grutas no programa mais vasto para a Arrábida, onde pensamos ser uma forma de valorizar, este património” e fez saber que pretende instalar um “Centro de Interpretação, com vista a disponibilizar toda a informação ao turista, sobre a zona onde estão inseridas as grutas”.
Salientar ainda que o projecto PRARRÁBIDA (Valorização de sítios arqueológicos) é promovido pela Câmara Municipal de Palmela, com financiamento do PORLisboa2020, no âmbito do PDCT-AML (Pacto para o Desenvolvimento e Coesão Territorial da Área Metropolitana de Lisboa), com o apoio do FEDER, e insere-se na Prioridade de Investimento 6.3 Valorização do Património Cultural e Natural.
Os trabalhos arqueológicos, desenvolvidos em Quinta do Anjo, no Casal do Pardo, inserem-se num programa de recuperação e valorização das Grutas Artificiais, a executar em colaboração com a empresa ArqueoHoje, que incluirão a realização de novas escavações e a execução de um projecto paisagístico, da autoria de Rui Farinha (Câmara Municipal de Palmela) e de apoio à interpretação museológica do sítio, onde se incluirá informações sobre o local, em várias línguas estrangeiras.
Para os investigadores, que ainda se encontram no terreno, os resultados conseguidos, foram considerados “excelentes”. Neste trabalho arqueológico, revelou que debaixo de um simples caminho pedestre, que passa frente às grutas, escondia algo mais. Trata-se de um alargamento frontal, que desvenda um passadiço com melhor acesso à gruta sepulcral de Quinta do Anjo.
Recorde-seque a equipa liderada por Victor Gonçalves, revela que “quem aqui esteve, entre 3200 e 3000 anos antes da nossa Era, eram pessoas com uma cultura material parecida com todo o mediterrâneo central e ocidental”.
Jazidos de grandes famílias residentes 3500 antes de Cristo
Victor Gonçalves revelou ainda que “as reutilizações posteriores, pertencem a grandes grupos de pessoas” e explica que na sua investigação, conclui que “há uma altura, por volta de 2800, 2900 (antes de Cristo), quando surge o povoado de Castro Chibanes (Palmela), há uma completa unidade de pessoas e de materiais arqueológicos e neste caso, as grutas do Casal do Pardo, Quinta do Anjo, tem as mesmas características, que as de todo o norte de Lisboa”.
O Arqueólogo sublinhou que “nem um grande rio (Tejo) chegou para separar esta gente, que viveu nestas regiões e que no meu entender, vieram do Sul de Espanha”.
Relembramos que o importante espólio recolhido nas escavações de 1876 e de 1907, encontra-se depositado no Museu Geológico e no Museu Nacional de Arqueologia, e está actualmente a ser reestudado. Destaque para o conjunto relativamente tardio de cerâmicas campaniformes, contexto local de um fenómeno pan-europeu, que surge no final do Calcolítico.
As grutas de Quinta do Anjo, situadas no casal do Pardo, estarão em breve com outra configuração, com vista a poder receber condignamente, os visitantes, que terão direito a uma vasta informação sobre a história da localidade e, neste caso concreto, sobre as Grutas Artificiais. 













