Cecília Sousa desafia população para criação de uma Comissão de Utentes de Saúde

Cerca de 70 utentes manifestaram-se, esta segunda-feira, à porta Centro de Saúde do Poceirão, que embora encerrado não os impediu de reivindicar a colocação de mais médicos...

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Cerca de 70 utentes manifestaram-se, esta segunda-feira, à porta Centro de Saúde do Poceirão, que embora encerrado não os impediu de reivindicar a colocação de mais médicos de família e enfermeiros.

A luta não é recente, mas as dificuldades da população em obter consultas ou outros serviços de saúde nomeadamente de enfermagem são cada vez maiores, como explicou ao Jornal do Pinhal Novo Maria Antónia Mendes, diabética e com problemas cardíacos e cuja consulta estava marcada para a manha desta segunda-feira.

“Estive 2 meses à espera desta consulta e nem sequer se dignaram a ligar-me a informar que o posto de saúde estava encerrado. Amanhã tenho consulta com duas crianças de 3 e 1 anos, e mais uma vez não serão atendidos”, explica.

Maria Antónia Mendes questionou ainda “com as doenças que tenho e a precisar de baixa médica, como poderei eu ter as minhas receitas ou a baixa, se chegamos a estar dois meses à espera de uma consulta?”

Situação semelhante vive Augusto Berto, também diabético, e que desde Junho tem visto a sua consulta desmarcada consecutivamente, esperando agora para o mês de Dezembro, data prevista para a tão esperada consulta.

Perante a doença e a necessidade de medicação Augusto Berto disse ao JPN “que caso me falte a medicação, sou obrigado a deslocar-me a Palmela, ou pago do meu bolso a receita e depois quando a tiver a farmácia reembolsa o valor”.

Situação que Cecília Sousa, presidente da União das Freguesias de Poceirão e Marateca repudia. “Esta é uma reivindicação antiga e que passa pela colocação de mais profissionais de saúde neste posto médico”, sublinha a autarca, lembrando que trata-se de uma freguesia com mais de “4.700 habitantes, dos quais 2845 são utentes deste posto médico. Temos uma franja muito grande de utentes que, actualmente, se encontram noutros centros de saúde, nomeadamente me Pegões (concelho do Montijo) e Águas de Moura.

Com uma população maioritariamente idosa, Cecília Sousa mostra-se indignada com o facto “dos utentes chegarem a estar 6 meses a 1 ano à espera de consulta” o que a leva a “reivindicar a colocação de mais médicos de família de modo a aliviar a agenda da única médica que dá consultas aqui no Poceirão”.

A autarca aproveitou a manifestação da população para o desafiar a criar uma Comissão de Utentes de Saúde “com vista a defender um direito previsto na nossa Constituição”.

Para Adilo Costa, vereador responsável pelo pelouro da Saúde “a questão da falta de médicos de família é extensível a todo o território, sendo que esta extensão de saúde é a que se encontra numa situação mais grave, devido à distância e pela falta de transportes públicos”.

“A Câmara Municipal tem vindo a insistir com o ACES Arrábida no sentido do reforço de médicos de família, achamos que a política de “captação” de médicos para o concelho e até para a Península de Setúbal, tem de ser mais agressiva, tem que haver outro tipo de atractividade, mas tem que haver consciência que estes territórios não podem ficar sem profissionais de saúde”, acrescentou o vereador da Saúde.

Recorde-se que esta manifestação foi convocada pela União das Freguesias de Poceirão e Marateca que promete novas formas de luta.

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