“No Palmelense vivi grandes momentos, mas também passei por momentos menos bons”

Tem 37 anos e 29 de futebol, começou aos 8 anos no Palmelense, e hoje é vice-presidente do clube que o viu crescer como jogador e como...

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Tem 37 anos e 29 de futebol, começou aos 8 anos no Palmelense, e hoje é vice-presidente do clube que o viu crescer como jogador e como homem.

Hoje com os filhos a vestir a camisola do Palmelense, Bruno Pombo contou ao Jornal do Pinhal Novo como tem vivido os últimos meses como diretor do clube onde já foi capitão de equipa.

– Com que idade ingressou no Palmelense?

Entrei para o clube com 8 anos. Naquela altura nem sequer ainda existia escalão para a minha idade, o que levou a que eu treinasse com a equipa de Iniciados, que tinham 14 anos. Só dois anos depois foi criada a primeira equipa de Infantis.

 

– O gosto pelo futebol foi algo que nasceu consigo ou foi-lhe incutido?

Sempre gostei de futebol. Recordo-me que com 5 ou 6 anos os presentes que pedia era sempre uma bola de futebol. Embora o meu pai e o meu irmão tivessem jogado, numa me foi incutido por eles esse gosto. Foi algo que nasceu comigo.

– A formação foi sempre feita no clube?

Não. Comecei a minha formação no Palmelense, depois estive no Vitória de Setúbal e a seguir no Benfica, onde tive a oportunidade de realizar o sonho de jogar com o emblema ao peito. Foram três anos cuja experiência foi inesquecível, ao sagrar-me Campeão Nacional de Juniores.

Mais tarde, e ainda no Benfica, tive um problema de saúde, que me levou a estar praticamente um ano sem jogar. Depois de alguma pressão acabei por sair do Benfica e regressar a Palmela, desta vez já como sénior.

– Ainda voltou a sair do Palmelense…

Sim, a dada altura sai para Santiago do Cacém. Nesse ano o Santiago tinha sido campeão e ascendeu à antiga terceira divisão e onde acabei por ser colega do atual treinador da equipa sénior do Palmelense, Duarte Machado.  Devido a salários em atraso, sai em Dezembro, tendo terminado essa época desportiva em Ferreira do Alentejo. Na época seguinte fui para o Abrantes onde estive três anos, e onde tive a possibilidade de mudar a minha vida pessoal.

Depois disso regresso, novamente a Palmela, mas desta vez acompanhado da minha esposa, e onde fiquei mais quatro anos, antes de ingressar a equipa do Amora.

 

“É o clube onde comecei a jogar futebol e onde fiz grandes amizades”

 

– Mas foi em Palmela que decidiu terminar a sua carreira como jogador?

Sim, nem poderia ter sido noutro clube. No Palmelense vivi grandes momentos, mas também passei por momentos menos bons, nomeadamente nos anos em que o Palmelense teve dificuldades financeiras graves, em que quase esteve para fechar. Mesmo passando por clube como o Barreirense, onde fui campeão distrital, e de ter estado um ano no Comércio e Industria, foi em casa que quis terminar a minha carreira.

– Independentemente do gosto que tem pelo futebol, também tem um grande amor ao Palmelense…

Isso é notório. Não só pelo anos que dediquei ao clube, mas por ser o clube da minha terra. É o clube onde comecei a jogar futebol e onde fiz grandes amizades e principalmente é o clube onde o meu falecido pai foi treinador, por tudo isto seria impossível não ter este clube no coração.

 

– E hoje tem os seus filhos a jogar, também, no Palmelense.

A parte curiosa é que os meus filhos têm exactamente o mesmo treinador que eu. O Eduardo Pereira foi o meu primeiro treinador e hoje treina os meus filhos. Tenho um enorme orgulho em vê-los jogar, mas ao mesmo tempo chego a ficar nervoso quando os vejo em campo.

– Depois de jogador, hoje é vice-presidente do Palmelense com responsabilidades no futebol sénior. Foi difícil aceitar este desafio?

Em primeiro lugar, quando me fizeram o convite para integrar a lista que viria a vencer o ato eleitoral, jamais me passaria pela cabeça que poderia vir a ser vice-presidente.

Aceitei o convite porque já conhecia bem algumas pessoas, nomeadamente o Vítor Hugo Alves, com quem partilho a responsabilidade do futebol sénior, sabia que o clube atravessava sérias dificuldades e desde a primeira hora estive disponível para ajudar, nunca pensando que poderia vir a ser vice-presidente.

Toda a gente sabe o amor que tenho pelo clube e que gostaria de um dia vir a ser treinador, mas devido à minha vida profissional isso, por agora, não será possível. Com o convite para ser vice-presidente e responsável pelo futebol sénior, acabei por enfrentar o desafio. Contudo, isso só tem sido possível com a total disponibilidade do Vítor Hugo Alves, que tem uma enorme experiência nesta matéria e é uma pessoa extremamente competente. Posso mesmo dizer que tem sido uma experiência fantástica, onde tenho aprendido imenso.

– No balneário como é a sua relação com jogadores que o conhecem e sabem que já esteve no lugar que ocupam hoje?

“Um adepto que se diz Palmelense tem que apoiar os jogadores e a equipa técnica”

Tento sempre transmitir-lhes que sei muito bem o que eles sentem. Tento mostrar-lhes que compreendo bem as dificuldades que possam viver, pois muitas vezes trazemos para os treinos as dificuldades pessoais e profissionais e por isso aquilo que pretendo que os jogadores vejam é que sou um deles.

– E no banco ainda sofre?

Muito. Ainda hoje sinto vontade e necessidade de estar com os jogadores e apoiá-los, outras vezes, ainda, dá vontade de entrar em campo e ajuda-los no jogo.

– O Palmelense tem vivido semanas conturbadas com algumas divergências com dois sócios. Como ex jogador e agora como director como tem encarado este processo?

Em primeiro lugar há que perceber o verdadeiro sentido das claques ou dos adeptos. É principalmente ajudar e apoiar a equipa nos momentos mais difíceis, porque quando a equipa está a vencer por 3 ou 4 golos o resultado está praticamente garantido e aí o jogo corre de outra forma. Agora quando os golos falham ou quando a equipa não consegue dar a volta ao resultado, ai sim, precisamos de quem nos dê força e nos puxe para cima.

No dia em que ocorreram situações que, a meu ver, foram extremamente graves, eu estava no banco e ouvi insultos aos jogadores do Palmelense e à equipa técnica de então. Isto não é ser adepto. Um adepto que se diz Palmelense tem que apoiar os jogadores e a equipa técnica.

 

“Jogo após jogo o rebentamento de engenhos explosivos continua a verificar-se, os insultos persistem e semanalmente o Palmelense é castigado por isso”

 

– Depois dessas pessoas terem sido castigadas, o ambiente está mais calmo?

Não. As pessoas realmente foram castigadas e em momento algum procuraram a direcção para se retratarem da sua conduta. E atenção o castigo não derivou dos insultos, embora graves, a jogadores, árbitros e equipa técnica. Os castigos derivaram de uma conduta lamentável para com as autoridades e de insultos continuados a pessoas que se encontravam no campo, uma delas uma directora do clube e a uma pessoa que naquele momento se encontrava no exercício das suas funções profissionais.

A conduta dos sócios em questão foi lamentável e vergonhosa, e desrespeitadora do próprio clube, pois nenhum sócio pode argumentar que só porque paga quotas pode provocar danos morais ou materiais ao clube, antes pelo contrário, mas ainda assim, o Palmelense esteve e está aberto ao diálogo, coisa que até agora nunca aconteceu. E por essa razão, todos fomos unânimes em castigá-los pois não podemos permitir atos que possam levar à violência e a faltas de respeito extremamente graves.

Ainda assim, esses adeptos não entenderam que tiveram uma conduta errada e continuam a prejudicar o bom funcionamento do clube, porque jogo após jogo o rebentamento de engenhos explosivos continua a verificar-se, os insultos persistem e semanalmente o Palmelense é castigado por isso.

As pessoas têm que entender que a direcção não acordou de manhã a decidir que iria castigar sócios. Eu não gostaria que a minha mãe ou irmã fosse insultada da forma como algumas pessoas foram insultadas e por isso sou o primeiro a repudiar a atitude daqueles dois sócios.

 

-Nunca foram procurados por esses sócios?

Não. Dois outros sócios pediram uma reunião, mas só aconteceu uma delas, o outro sócio chegou a pedir-nos uma reunião, à qual acedemos mas depois essa reunião, por indisponibilidade do próprio sócio acabou por não acontecer. Relativamente aos outros dois sócios, nunca nos procuraram. Aquilo que tem sido feito é público, existem apenas comentários, nem sempre verdadeiros, nas redes sociais. Para além de que continuam a persistir nos insultos quer no jogo frente ao Alcochetense, quer no campo do Comércio Indústria e agora no domingo frente aos Pescadores, o que só piora a situação.

 

 

 

 

 

 

 

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