Centro Social de Palmela vai encerrar duas valências

O Jardim de Infância “A Cegonha”, em Poceirão, e o CAT – Casa de Acolhimento Temporário, valências do Centro Social de Palmela vão encerrar. A confirmação foi...

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O Jardim de Infância “A Cegonha”, em Poceirão, e o CAT – Casa de Acolhimento Temporário, valências do Centro Social de Palmela vão encerrar. A confirmação foi feita pelo próprio presidente da instituição, Carlos de Sousa.

“A Cegonha” irá encerrar os seus serviços no final do presente ano lectivo. Carlos Sousa garante que os encarregados de educação já estão a ser informados da situação, de modo a puderem proceder às inscrições das crianças em outros estabelecimentos.

Relativamente ao CAT “a Segurança Social terá que encontrar uma alternativa para os jovens noutras instituições”, acrescentou o responsável pela instituição referindo que no CAT está em causa a transferência de 13 jovens, e no Jardim de Infância “A Cegonha” serão cerca de 50 crianças. Quanto aos trabalhadores, Carlos Sousa, disse em declarações exclusivas ao JPN que serão “situações de despedimento”. Na medida em que a situação financeira do Centro Social de Palmela “é conhecida de toda a gente. Tivemos essa preocupação, com a maior transparência de dizer isso aos pais, à comunidade e às instituições nossas parceiras”.

“Quando cá chegamos tínhamos dívidas à Segurança Social na ordem dos 550 mil euros e empréstimos junto da banca na ordem dos 450 mil euros, para além de 90 mil euros de dívidas aos trabalhadores. A somar a esta pesada realidade, ao longo destes meses fomos descobrindo que as mensalidades pagas pelos pais são muito baixas”.

Carlos Sousa apontou como causas dos problemas “as mensalidades muito baixas”, devido aos rendimentos baixos das famílias, à “legislação mal feita”, “prejuízo acumulado”, assim como a perca de crianças transferidas para o ensino público.

“Este caminho da insustentabilidade financeira, começou quando a Câmara Municipal começou a fazer concorrência às IPSS com o ensino pré-escolar público. Na minha modesta opinião deveriam ter perguntado às instituições se elas estavam interessadas em fazer parcerias, e à semelhança do que é feito noutros municípios nós assumiríamos essas crianças gratuitamente e a Câmara Municipal pagava-nos esse serviço”, acrescentou.

O responsável pela IPSS explicou, ainda, que os pedidos à “Caixa Geral de Depósitos, com o intuito de prolongar o prazo da dívida, de forma a diminuir as mensalidades, foram recusados”. Portanto, “o nosso “poder” de arranjar soluções alternativas é extremamente limitado”, lamentou.

Carlos Sousa questionou, ainda, “qual é a lógica de em 2015, já com dividas à Segurança Social e à banca e com subsídios de Natal e Férias em atraso, fazer-se a compra de um edifício só porque era um bom negócio financeiro?”.

Por outro lado, as despesas com o pessoal são mais um dos problemas que deram origem ao encerramento dos dois estabelecimentos, uma vez que “as despesas com o pessoal absorvem praticamente todas as receitas”, “a Segurança Social não teve em conta as variações dos custos de encargos e custos com o pessoal”, explicou o responsável destacando o facto “e o CAT dar-nos um prejuízo de cerca de 70 mil euros ano, e “A Cegonha”, dar-nos um prejuízo que ronda os 40 mil euros/ ano”.

Futuramente, Carlos Sousa tenciona fazer uma candidatura ao PER – Processo Especial de Revitalização, “figura que permite fazer uma renegociação com a banca e a Segurança Social”, explicou.

Carlos Sousa, disse que é preciso “coragem para tomar medidas drásticas para poder manter o essencial do Centro do Social”. O mesmo procura, agora, “criar respostas para ajudar a colmatar o défice de receitas e cativar os país a trazer de volta as crianças”.

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