A Comissão Europeia apresentou, na passada semana, os seus planos para investir, em conjunto com os Estados-Membros, na construção de uma infraestrutura europeia de supercomputadores de craveira mundial.
O tratamento de quantidades cada vez mais elevadas de dados requer supercomputadores, que são valiosos para a sociedade em muitos domínios, desde os cuidados de saúde e as energias renováveis à segurança dos veículos e à cibersegurança.
Os planos apresentados são cruciais para a competitividade e a independência da UE na economia dos dados. Cada vez mais, a indústria e os cientistas europeus tratam os seus dados fora da UE, porque a capacidade de computação disponível na União não é suficiente para satisfazer as suas necessidades de cálculo. Esta falta de independência compromete a privacidade, a protecção dos dados, os segredos comerciais e a propriedade dos dados, em particular os das aplicações sensíveis.
A nova estrutura jurídica e de financiamento – a EuroHPC, Empresa Comum – vai adquirir, desenvolver e implantar em toda a Europa uma infraestrutura de computação de alto desempenho (HPC) e de craveira mundial. Além disso, apoiará um programa de investigação e inovação para o desenvolvimento de tecnologias e máquinas (equipamento informático), bem como de aplicações (suporte lógico) que possam funcionar nesses supercomputadores.
A contribuição da UE para a EuroHPC será de cerca de 486 milhões € no âmbito do actual Quadro Financeiro Plurianual, a que acrescerão as contribuições dos Estados-Membros e de países associados, de montante total semelhante. Globalmente, até 2020, o investimento público ascenderá a cerca de mil milhões de EUR, a que se juntarão contribuições em espécie das entidades privadas participantes na iniciativa.
Carlos Moedas, comissário responsável pela investigação, ciência e inovação defende que “este é provavelmente um dos grandes exemplos que temos de valor acrescentado europeu. Nenhum país, nenhuma universidade, nenhuma empresa sozinha conseguiria fazer o que estamos a fazer aqui, hoje. Os supercomputadores vão revolucionar a aprendizagem automática, o dito ‘machine learning’, e essa aprendizagem vai revolucionar a própria ciência. E acredito que esta iniciativa pode multiplicar os efeitos e resultados de um programa fantástico como o Horizonte 2020.”












