
Fogo, teatro e sátira foram os principais ingredientes da Queima do Judas, que mais uma vez voltou às ruas do Centro Histórico de Palmela.
Com um percurso, iluminado pela luz dos archotes e marcado pelos bombos, a iniciativa começou junto ao Jardim Manuel Sequeira da Costa Paula, e conduziu o público até cada um dos infelizes Judas – bonecos de palha com recheio pirotécnico – que conhecerão os seus testamentos, textos satíricos dramatizados pelas associações e grupos locais de teatro, terminando no Largo de S. João com o habitual testamento e respectivo Judas da Câmara Municipal, seguindo-se a animação pela Orquestra e pelos Diabos do Bardoada – Grupo do Sarrafo, seguindo-se um espectáculo de fogo-de-artifício.
Recorde-se que a Câmara Municipal de Palmela recuperou este ritual de origens pagãs, ligado à celebração do equinócio da Primavera, em 1995. Hoje, a Queima do Judas é parte integrante do Programa Municipal de Teatro e continua a desafiar e inspirar os grupos de teatro de amadores do concelho, contribuindo para a divulgação do seu trabalho junto de diferentes públicos.
Reza a história, que em Palmela, a antiga prática resultava da vontade e iniciativa de alguns vizinhos que se organizavam em torno da feitura de um boneco de palha, onde eram colocadas bombas que estouravam quando lhes era ateado fogo na Noite de Sábado Aleluia. Era entre os vizinhos que se arranjava umas calças, um casaco, sapatos e um chapéu, palha, arame, bombas e petróleo, para se fazer o boneco de palha. Contudo houve momentos em que a Queima era feita ao meio-dia de sábado, a mudança ter-se-á verificado com as alterações de horário das comemorações da Missa da Aleluia, que aconteceu nos anos 50.
Depois de um interregno de 20 anos, a Queima do Judas voltou a poder ser visto e ouvido pelas ruas da vila de Palmela.

