“O Palmelense poderia ter um Ferrari, mas tem um Fiat”

Foi vice-presidente para a área financeira na última direcção do Palmelense, mas a “postura individualista e totalitarista” do actual presidente levou-o a ponderar a sua permanência no...

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Foi vice-presidente para a área financeira na última direcção do Palmelense, mas a “postura individualista e totalitarista” do actual presidente levou-o a ponderar a sua permanência no clube, decisão que afirma ter sido reforçada quando “recebi no meu email facturas ao Palmelense no valor total de 4550 € da empresa que o João Paulo Santos gere”.

Carlos Valente, candidata-se à presidência do Palmelense e assegura que caso vença as eleições da próxima sexta-feira “iremos trabalhar arduamente e de forma transparente na promoção e crescimento do Palmelense Futebol Clube”.

– O que o leva a candidatar-se à direcção do PFC?

Decidi candidatar-me à Direcção do Palmelense Futebol Clube porque entendo que com a minha experiência em gestão de empresas, bem como de vários cargos que desempenhei no seio do associativismo poderei em conjunto com a minha equipa fazer mais pelo Palmelense.

Para quem não me conhece já trabalhei na Visteon Portuguesa, em Palmela, depois fui Director de Qualidade da Fábrica da Pioneer, em Portugal, finalmente fui convidado para Director Geral da Pioneer. Posteriormente, e devido à Pioneer Corporation ter decidido deixar os mercados mais pequenos da Europa, os japoneses pediram-me para ficar como representante da marca em Portugal. Desde 2013 criei duas empresas que representam e distribuem produtos da marca Pioneer, entre outras.

Sou Licenciado em Engenharia Mecânica, tenho um e-MBA e um mestrado em Marketing, mas gosto que me tratem pelo nome, porque entendo que os nossos conhecimentos são para serem aplicados profissional e pessoalmente e não para colocar o título antes do nome. Considero-me uma pessoa trabalhadora, que preza pela “precisão” naquilo que faz, pela transparência e envolvimento de todos.

Tomei a iniciativa de juntar uma equipa de pessoas com muita experiência no Palmelense que já demonstraram e continuam a demonstrar um empenho forte e “amor” pelo clube da nossa terra. São também pessoas polivalentes com conhecimentos técnicos muito diversos o que significa que poderemos fazer em conjunto um bom trabalho.

– Fez parte da antiga direcção do PFC como vice-presidente para a área financeira. Porque se demitiu?

Sim, o João Paulo Santos convidou-me a integrar a lista que apresentou em 2017 para o biénio. O pressuposto que tínhamos era trabalhar em conjunto e promover a coesão da equipa. O problema é que quando começámos a trabalhar dei-me conta que o actual presidente tem uma postura muito individualista e totalitarista no que respeita às decisões críticas do clube. Infelizmente e após muitas tentativas para juntar todos em torno de um projecto comum, ao final de um ano de mandato entendi que quanto mais tentava participar e fazer com que todos participassem das decisões menos era envolvido nas mesmas.

Para mim a “linha vermelha” foi ultrapassada quando recebi no meu email facturas ao Palmelense no valor total de 4550 € da empresa que o João Paulo Santos gere. Quando questionei sobre as mesmas, foi-me dito que eram referentes à obra que o próprio e o seu funcionário estavam a realizar na conclusão da construção do Campo de 7.

Entendo que João Paulo Santos não deveria ter adjudicado a si próprio (à empresa que gere) obra do Palmelense no qual desempenha a função de Presidente sem acautelar que essa decisão, a existir, deveria ser tomada pela Direcção no seu todo e não por ele mesmo. É no mínimo, questionável em termos de ética e não ressalva o conflito de interesses.

 

A Vice-presidência deve, como qualquer outra função de direcção, ser respeitada e não pode ser ocupada por pessoas apenas como figura presente ou para assinar cheques.

Após algumas tentativas para que o João Paulo Santos levasse o assunto à reunião de Direcção, como não o fez, entendi que a minha presença na direcção era redundante e como tal informei o João Paulo e o Presidente da Mesa da Assembleia Geral da minha demissão.

 

“A gestão actual tem sido marcada por decisões questionáveis”

 

-Apresentou publicamente algumas dúvidas quanto à forma como o Palmelense tem sido gerido. Considera que há falta de transparência? Porquê?

 

Quanto a esta questão, é importante referir que o Palmelense tem vindo a ser melhorado no período que o João Paulo Santos tem estado à frente do clube, mas dado às condições que têm havido, penso que muito mais poderia ter sido feito. A gestão actual tem sido marcada por decisões questionáveis que podem ser vistas como havendo aproveitamento por parte do Presidente, pois o seu estilo de gestão não é pluralista na decisão, em palavras simples, o Presidente decide e a direcção assiste. Por outro lado, é também importante mencionar que derivado a atrasos constantes no que diz respeito às obrigações fiscais por parte do Palmelense o clube tem sido alvo de coimas recorrentes (para mencionar algumas, refiro-me ao IVA do relvado do campo de 11, cobrado coersivamente por parte das finanças que representou um encargo de cerca de 34.000 € a mais para o clube. Para além disso o IVA do 1º trimestre de 2017 não foi entregue correctamente o que significou cerca de 2000 € de coimas das finanças). Se houvesse uma gestão mais cuidada e precisa o Palmelense poderia estar numa situação mais confortável em termos financeiros. Como diz um amigo meu – “O Palmelense poderia ter um Ferrari, mas tem um Fiat”. Poderia dar outros exemplos, mas precisaríamos de mais tempo e espaço nesta entrevista.

 

“Não podemos pretender ter uma Escola de Formação certificada pela Federação Portuguesa de Futebol, com base em registos “produzidos”

 

– Quais são as linhas orientadoras da sua candidatura ao PFC?

 

Penso que o Palmelense atingiu uma fase em que determinados processos e sistemas devem ser profissionalizados de forma a que o clube possa evoluir de forma sustentável que permita olhar para o futuro com confiança. Não podemos pretender ter uma Escola de Formação certificada pela Federação Portuguesa de Futebol, com base em registos “produzidos” pelo Presidente e mais dois ou três elementos.

Nesse sentido entendo que podemos dividir o nosso plano de acção para o Palmelense em três grandes pilares.

Palmelense – Organização

Palmelense – Futebol e Modalidades

Palmelense – Sociedade

 

No que respeita ao Pilar PALMELENSE-ORGANIZAÇÃO, queremos criar uma infraestrutura informática que permita partilhar rede com os treinadores de forma a facilitar os registos dos treinos, evolução dos jogadores, etc. e que, por outro lado, o clube possa monitorar a actividade da escola de formação no seu todo. Por outro lado é necessário implementar processos administrativos de controlo de associados, jogadores, treinadores e demais funções envolvidas no clube que permita criar histórico para o clube. Não podemos continuar a começar de novo sempre que uma nova direcção toma posse.

Em termos de controlo da área financeira do clube também é muito importante desenvolver procedimentos que permitam ter um controlo permanente e atualizado da situação financeira do clube. A implementação da orçamentação anual das actividades do clube com uma visão clara das receitas e despesas de cada actividade é fundamental para que o clube evolua.

Reduzir a variabilidade das receitas é também um passo fundamental para poder oficializar receitas que neste momento entram no clube de forma “informal” não permitindo um controlo real das receitas e consequentemente deixando esses montantes fragilizados quanto à sua aplicação em despesas.

Ainda no pilar da organização, entendemos que é necessário criar/modernizar os canais de comunicação com os associados e simpatizantes de forma mais profissional quer através do website, quer através das redes sociais. Queremos também implementar um sistema de TV em streaming para que todos os que gostam do Palmelense possam assistir aos jogos, mesmo que por indisponibilidade não o possam fazer presencialmente.

Em relação à infraestrutura do clube, é preciso continuar o trabalho realizado nos últimos anos, com a modernização da bancada do campo de 11 e infraestrutura de balneários, a criação do Salão de Trofeús para permitir realizar reuniões mais alargadas nomeadamente Assembleias Gerais, reactivação do 2º Bar do Cornélio Palma, criação do Espaço para os Veteranos, criação de uma bancada na zona dos apoiantes da equipa visitante que permita dar mais dignidade aos apoiantes dos nossos adversários,etc, de forma a aproveitar toda a infraestrutura do clube.

 

Para realizarmos este plano queremos concorrer aos vários sistemas de incentivos Europeus e Nacionais de forma a conseguirmos limitar a utilização de capitais próprios do clube e assim minimizar o impacto financeiro.

 

“Quero garantir que queremos contar com todos os jogadores e equipas técnicas que estão no Palmelense neste momento”

No Pilar PALMELENSE-FUTEBOL E MODALIDADES, é fundamental distinguir as Equipas Seniores Masculina e Feminina e a Escola de Formação.

Quanto às equipas Seniores queremos criar um plano e as respectivas condições financeiras que permitam preparar a ascensão de ambas ao Campeonato Nacional. Sabemos que para poder estar no nacional é preciso uma estrutura financeira que o clube não dispõe neste momento. Estamos em conversações com diversos patrocinadores para o Palmelense e aquilo que queremos é ter uma base de apoio financeiro que permita a independência das equipas seniores em relação ao financiamento que a escola de formação permite neste momento. Sei que têm sido veiculados rumores quanto às nossas intenções, mas quero garantir que queremos contar com todos os jogadores e equipas técnicas que estão no Palmelense neste momento.

As escolha dos planteis deverá ser feita pelas equipas técnicas e tanto quanto sei o Palmelense dispõe de equipas técnicas competentes e habilitadas pelo que não queremos fazer alterações relevantes no conceito.

 

Relativamente à Escola de Formação, queremos contar com todos os treinadores existentes e reforçar com uma equipa de coordenação forte, pois queremos que exista uma estratégia clara de crescimento do número de atletas, mas também da evolução em termos qualitativos desses atletas. A Escola de Formação do Palmelense é já uma referência no Distrito, mas entendemos que os métodos de treino, o desenvolvimento de competências dos jogadores pode ser melhorado e monitorado de forma continua.

Um dos aspectos em que queremos inovar é a introdução de aulas teóricas em sala para os atletas da formação com vista ao desenvolvimento das suas competências técnicas e comportamentais, porque é preciso fazer a ligação entre a teoria e a prática, o que nos parece interessante no desenvolvimento dessas competências.

 

No que diz respeito ao Atletismo, queremos fazer muito mais do que aquilo que tem sido feito, embora reconheça que ainda está numa fase embrionária e por isso ainda em desenvolvimento. É preciso coordenar com as várias instituições locais a promoção da prática do desporto em geral como forma de promover hábitos mais saudáveis e consequentemente prevenção de doenças relacionadas com hábitos mais sedentários. O Atletismo é uma oportunidade para jovens e não só, que não tenham tanto gosto pela prática do Futebol e como tal é preciso fazer essa ponte entre as diversas modalidades. O mais importante é que o Palmelense seja reconhecido como o centro da promoção do desporto no Concelho.

 

Por último, quero realçar o papel fundamental dos encarregados de educação, que muitas vezes vão deixar os atletas no Palmelense e depois ficam no carro à espera que o treino termine. É importante envolver essas pessoas não só na sua potencial contribuição para a melhoria dos diversos processos, mas também encontrar soluções que permitam que possam passar esse tempo quer seja a praticar desporto quer a ajudar na melhoria do Palmelense como instituição.

 

Queremos ser uma Direcção que vê os encarregados de educação dos atletas como os clientes do Palmelense e como tal queremos estar disponiveis para dialogar com todos em todo o momento e envolve-los nas soluções que permitam promover a sua satisfação e participação.

 

“É importante posicionarmos o Palmelense como instituição de referência para a promoção do desporto”

 

Garanto que comigo à frente da Direcção, os encarregados de educação serão ouvidos e actuaremos de forma a melhorar continuamente no sentido de cumprir as suas expetativas quanto à Escola de Formação.

 

O último pilar da nossa estratégia é o PALMELENSE-SOCIEDADE. É importante posicionarmos o Palmelense como instituição de referência para a promoção do desporto no concelho e como tal entendemos que o Palmelense tem que se virar para fora promovendo a criação de sinergias com outras instituições do concelho. É preciso ir ao encontro dessas instituições e em conjunto com as suas direções encontrar formas de colaboração conjunta. O Centro Social de Palmela, os Bombeiros, as colectividades, escolas de dança, são alguns exemplos onde se podem explorar formas de colaboração conjunta com o Palmelense.

 

Queremos, obviamente, continuar a organizar encontros de associados e simpatizantes do clube como forma de dinamização e promoção do convivio entre todos.

 

Por outro lado e como todos sabem, queremos explorar a reactivação da realização da RED PARTY, em Palmela, mas neste caso queremos organizar um festival de música que possa vir a ser mais uma referência nacional em linha com outros festivais que já existem. Para além da projecção que dará do concelho de Palmela, constituirá uma fonte de receita para o Palmelense muito relevante para a sustentabilidade financeira do clube. Mas, neste aspecto nada está fechado pois entendemos que é em conjunto com as diversas instituições que chegaremos a ideias mais concretas e realizáveis.

 

“Acho que o Palmelense se tem que voltar para fora”

– Nos últimos meses tem sido pública a falta de consenso entre o PFC e a Palmela Desporto. Caso vença as eleições de dia 24 de Maio, considera ser possível chegar a um entendimento com esta empresa municipal?

Quanto a essa questão, entendo que é muito importante chegar a um entendimento com a Palmela Desporto, pois só em conjunto poderemos continuar a desenvolver planos de promoção do desporto no concelho. No dia seguinte às eleições, que acredito que vamos vencer, iniciarei de imediato uma série de reuniões com todas as instituições no sentido de chegar a entendimento de interesse comum a ambas as partes.

Como disse anteriormente, acho que o Palmelense se tem que voltar para fora procurando continuamente criar sinergias com as várias instituições e com a sociedade em geral. É importante reforçar a colaboração com a Câmara Municipal de Palmela, a Junta de Freguesia, o Centro Social de Palmela, com as escolas do concelho e com o Instituto Politécnico de Setúbal, entre outros.

Queremos propor uma abordagem de diálogo e colaboração continua entre o Palmelense e todas as outras instituições do concelho.

 

– Tem alguma mensagem que queira deixar aos nossos leitores e associados/simpatizantes do Palmelense?

 

Quero apenas deixar uma palavra aos associados do Palmelense relativa às eleições, pedindo a todos que no dia 24 de Maio vão à Assembleia Geral e participem exercendo o seu direito de voto de acordo com a sua consciência tendo como premissa o mais elevado interesse do Palmelense como instituição. Por outro lado, quero deixar-vos o meu compromisso de que iremos trabalhar arduamente e de forma transparente na promoção e crescimento do Palmelense Futebol Clube.

 

 

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